
(Foto: Viviane Matoba / Divulgação)
O Complexo Hospitalar de Barbacena (CHB), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), realizou um procedimento inédito na rede pública ao aplicar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma substância experimental em um paciente com lesão medular grave causada por um acidente de motocicleta.
O tratamento utilizou a polilaminina, composto ainda em fase de pesquisa clínica que busca estimular a regeneração do sistema nervoso após traumas na medula espinhal.
O paciente, de 28 anos, foi internado na noite de 19 de junho. Após passar por uma cirurgia na coluna dois dias depois, recebeu a aplicação da substância em 23 de junho, depois da conclusão da avaliação médica e da autorização dos procedimentos necessários.
Como funciona a polilaminina
A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e fundamental para o desenvolvimento das células nervosas. Os pesquisadores investigam sua capacidade de reduzir a inflamação no local da lesão e criar uma estrutura que favoreça o crescimento dos axônios, responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos.
O objetivo é estimular a reconstrução das conexões interrompidas pelo trauma. No entanto, por se tratar de um tratamento experimental, não há garantia de recuperação dos movimentos ou reversão da lesão.
A aplicação foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por meio do chamado uso compassivo, modalidade destinada a pacientes com doenças graves que não possuem outras opções terapêuticas disponíveis.
Parceria entre Fhemig e UFRJ
O procedimento foi realizado graças a uma cooperação entre o Complexo Hospitalar de Barbacena e pesquisadores do Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O transporte da equipe de pesquisadores e do material utilizado contou com apoio do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Saúde.
Reabilitação continua
Após a aplicação da substância, o paciente seguirá em acompanhamento multiprofissional. Além da ação da polilaminina, a recuperação dependerá de um processo contínuo de fisioterapia e reabilitação, fundamentais para estimular a regeneração neurológica e favorecer a recuperação das funções motoras.