O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) divulgou um alerta internacional sobre os riscos de retrocesso no combate à Aids em todo o mundo. Segundo relatório apresentado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, os avanços conquistados nas últimas décadas podem ser comprometidos pela redução de investimentos, crises humanitárias e enfraquecimento de políticas públicas.
O documento destaca que a resposta global ao HIV vive um momento considerado crítico. Apesar da queda nas mortes e do aumento do acesso ao tratamento, a ONU afirma que a diminuição do financiamento internacional ameaça diretamente os resultados alcançados nos últimos anos.
De acordo com o relatório, cerca de 31,6 milhões das 40,8 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo estavam em tratamento antirretroviral em 2024. O levantamento também aponta que as mortes relacionadas à Aids caíram 54% em comparação com 2010, atingindo o menor nível desde o início da década de 1990.
Mesmo com os números positivos, a ONU avalia que fatores como crises econômicas, aumento do endividamento de países, conflitos humanitários e retrocessos em direitos humanos podem afetar programas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
No relatório, António Guterres afirma que os avanços obtidos até agora demonstram que é possível controlar a doença como ameaça à saúde pública, desde que haja compromisso político e continuidade dos investimentos internacionais.
O Unaids também reforçou a importância da conscientização, da ampliação do acesso aos serviços de saúde e do combate à desinformação e ao preconceito relacionados ao HIV.