NEM TUDO É O QUE PARECE

Excesso de gordura nas pernas pode não ser obesidade; entenda o lipedema

Cirurgião vascular explica que diagnóstico é clínico e depende da análise dos sintomas

Débora Meira
Publicado em 13/06/2026 às 16:18
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Embora frequentemente sejam confundidos, lipedema e obesidade são condições diferentes e exigem abordagens distintas. Reconhecido oficialmente como doença em 2022, o lipedema afeta cerca de 12% da população e tem como principal característica o acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, principalmente pernas e braços. 

Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, o cirurgião vascular e angiologista Anderson Lubito alertou que a semelhança visual entre as duas condições muitas vezes dificulta o diagnóstico correto. “A obesidade é mais distribuída pelo corpo inteiro. Ela aparece no pescoço, braços, abdômen e pernas. Já o lipedema é localizado e tem características muito específicas”, explica. 

Segundo o especialista, uma das principais diferenças está justamente na distribuição da gordura corporal. Enquanto a obesidade provoca aumento de peso de forma mais generalizada, o lipedema costuma causar desproporção entre as partes do corpo. “O tórax pode vestir um tamanho 34, enquanto a parte de baixo do corpo veste 48. É uma característica bastante comum do lipedema”, afirma. 

Além da alteração física, o lipedema também apresenta sintomas que normalmente não estão associados à obesidade. Dor ao toque, sensação de peso nas pernas, inchaço frequente e facilidade para o aparecimento de hematomas estão entre os sinais mais comuns. “Os vasos ficam mais frágeis. Muitas vezes a pessoa encosta em algum lugar e já desenvolve um hematoma. Também é comum sentir dor quando a região é pressionada”, destaca. 

Outra diferença importante é a forma como a doença é identificada. Atualmente, não existe um exame específico capaz de confirmar o lipedema. O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica e da observação das características apresentadas pelo paciente. 

De acordo com Lubito, o desconhecimento sobre a doença faz com que muitas pessoas passem anos acreditando que sofrem apenas com excesso de peso. “Nem toda pessoa com excesso de peso tem lipedema, assim como existem pacientes com lipedema que não estão acima do peso. Nos estágios iniciais, os sinais podem ser mais discretos, mas a doença já está presente”, explica. 

O lipedema ocorre com maior frequência em mulheres e está relacionado a fatores hormonais e genéticos. Alterações hormonais comuns na adolescência, gravidez e menopausa podem funcionar como gatilhos para o desenvolvimento da doença em pessoas predispostas. 

Apesar de não ter cura, o especialista ressalta que o diagnóstico precoce permite controlar a evolução do quadro e reduzir os impactos na qualidade de vida. “O importante é identificar cedo. Quando a pessoa procura ajuda nos estágios iniciais, conseguimos orientar mudanças de hábitos e controlar melhor a evolução da doença”, afirma. 

Segundo o médico, a informação é uma das principais ferramentas para evitar diagnósticos tardios. Por isso, pessoas que apresentam desproporção corporal, dores frequentes nas pernas, hematomas recorrentes e histórico familiar da doença devem buscar avaliação médica especializada. 

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