Os brasileiros passam, em média, 29,7 horas por mês on-line, diante de telas de computadores. Mas este número leva em conta milhões de habitantes, muitos com pouco acesso à rede
Os brasileiros passam, em média, 29,7 horas por mês on-line, diante de telas de computadores. Mas este número leva em conta milhões de habitantes, muitos com pouco acesso à rede e, na outra ponta, pessoas que ficam oito horas por dia, ou até mais, mergulhadas na web. Há quem chega a passar mais de 12 horas diárias com os olhos vidrados em telas luminosas de smartphones ou desktops. O resultado são sintomas como dores de cabeça frequentes e ardência nos olhos e, por fim, um diagnóstico precoce de vista cansada, por exemplo.
De acordo com o oftalmologista Djalma Abrão Júnior, no caso de crianças e adolescentes, cuja visão está em formação, os prejuízos dessa superexposição à tela do computador e, também, da televisão podem ser significativos. “Quando ficamos muito tempo em frente de computadores, celulares, tablets ou da televisão, deixamos de piscar, o que faz com que nossos olhos fiquem ressecados. O ressecamento causa olho vermelho, ardência ocular, lacrimejamento e embaçamento visual. Além disso, o uso abusivo desses aparelhos pode ocasionar um quadro de miopia transitória, que seria uma dificuldade visual para longe que pode durar horas ou dias, dependendo da continuidade do uso”, alerta.
O especialista destaca que esse quadro pode acontecer com qualquer pessoa, independente da idade. “Em crianças, já há estudos que mostram o desenvolvimento precoce da miopia verdadeira, naqueles pacientes previamente predispostos. As alterações descritas acima já são chamadas de Síndrome de Visão do Computador”, destaca Djalma Júnior.
Por isso, aos profissionais que dependem do uso de computadores e não podem se afastar do seu local de trabalho, o oftalmologista indica o uso de colírios lubrificantes de forma contínua. “Pode-se usar sempre que houver qualquer desconforto ocular. Quando o uso é só por lazer, aconselho uma pausa a cada 40 minutos. A distração com outras coisas vai levar ao ato de piscar e, dessa forma, promover a lubrificação dos olhos. Assim, a pessoa passa a focalizar objetos ao longe, o que vai melhorar o cansaço visual ocasionado pelo esforço contínuo de acomodação para perto para visualizar a tela do computador”, recomenda o médico.
Além disso, o especialista lembra que é importante realizar exames oftalmológicos anualmente ou sempre que houver alguma queixa. Dessa forma, será possível diagnosticar e iniciar o tratamento adequado para qualquer distúrbio visual que possa aparecer em decorrência ou não do uso inadequado de computadores. “Devemos ainda nos preocupar com a forma que a criança fica posicionada de frente ao computador, para evitarmos problemas de coluna ou dores musculares. A distância ideal seria entre 18 e 28 centímetros da tela do computador, sendo que a mesma nunca deve ficar acima da altura dos olhos, e a cadeira e a mesa também precisam estar com alturas adequadas”, completa o oftalmologista Djalma Abrão Júnior.