Documento coloca semaglutida e tirzepatida como primeira opção no tratamento medicamentoso da obesidade, sempre associadas a mudanças no estilo de vida.
Uma nova diretriz do American College of Physicians (ACP), entidade que reúne médicos internistas dos Estados Unidos, passou a recomendar a semaglutida e a tirzepatida como primeira escolha quando há indicação de tratamento medicamentoso para a obesidade. O documento foi publicado nesta segunda-feira (15) na revista científica Annals of Internal Medicine.
Os dois medicamentos, conhecidos popularmente como "canetas para emagrecer", atuam imitando hormônios produzidos pelo intestino que ajudam a controlar a fome e aumentar a sensação de saciedade. Segundo especialistas, os resultados obtidos com essas terapias mudaram o cenário do tratamento da obesidade.
Há cerca de duas décadas, perder 5% do peso corporal já era considerado um objetivo importante no consultório. Atualmente, estudos mostram que a grande maioria dos pacientes em uso dessas medicações consegue ultrapassar esse percentual de perda de peso.
A recomendação do ACP destaca que os medicamentos devem ser utilizados em conjunto com mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e acompanhamento médico.
No Brasil, a adoção dessas terapias já vinha sendo defendida por sociedades médicas. Em 2025, entidades como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Academia Brasileira do Sono (ABS) divulgaram uma diretriz conjunta colocando a semaglutida e a tirzepatida entre as principais opções para o tratamento da obesidade.
A principal diferença entre os documentos está na forma de definir qual tratamento é mais adequado para cada paciente. Enquanto a diretriz norte-americana estabelece uma espécie de hierarquia entre os medicamentos, a brasileira considera fatores como o risco cardiovascular individual, avaliando a possibilidade de infarto, AVC e outras doenças associadas.
Apesar das diferenças na abordagem, especialistas destacam que ambos os documentos reforçam a importância do tratamento individualizado e do acompanhamento médico na condução da obesidade, reconhecida atualmente como uma doença crônica e multifatorial.