Um novo medicamento para tratamento do Alzheimer em estágio inicial começou a ser comercializado no Brasil com valor a partir de R$ 12 mil. O Leqembi, desenvolvido para atuar sobre um dos principais mecanismos ligados à doença, será oferecido inicialmente pela Alta Diagnósticos, marca da Dasa.
A terapia poderá ser solicitada por meio do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos, responsável pela investigação e acompanhamento de pacientes com alterações cognitivas. O processo envolve exames como biomarcadores no sangue e no líquor, PET-CT cerebral e teste genético APOE4.
Neste primeiro momento, o tratamento estará disponível em unidades de São Paulo e Rio de Janeiro, exclusivamente na rede particular, com acompanhamento médico especializado e indicação após avaliação dos critérios clínicos.
Como funciona o medicamento?
Diferentemente dos tratamentos tradicionais, que atuam principalmente no controle de sintomas como perda de memória, alterações de comportamento e dificuldades funcionais, o Leqembi age diretamente em um dos processos biológicos associados ao avanço do Alzheimer.
O medicamento atua removendo placas de beta-amiloide, uma proteína que se acumula no cérebro de pessoas com a doença. A redução dessas placas pode ajudar a desacelerar a progressão do Alzheimer.
Estudos que embasaram a aprovação do medicamento apontaram benefícios na cognição e na manutenção da autonomia dos pacientes acompanhados a longo prazo, embora os resultados não tenham detalhado efeitos isolados sobre habilidades específicas, como memória ou linguagem.
Quem pode utilizar?
O Leqembi é indicado para pacientes com Alzheimer em fase inicial, incluindo casos de comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pela doença.
Antes do início do tratamento, é necessário confirmar a presença de placas de beta-amiloide por meio de exames específicos, como o PET amiloide ou análises de biomarcadores no líquido cefalorraquidiano.
Além disso, o paciente precisa atender aos critérios clínicos definidos para o uso seguro da terapia.
Nova fase no tratamento do Alzheimer
Segundo o neurologista Diogo Haddad, coordenador do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos, o medicamento representa uma mudança na abordagem da doença.
“Pela primeira vez, estamos entrando em uma era em que o tratamento do Alzheimer vai além do controle dos sintomas e passa a atuar diretamente sobre um dos mecanismos biológicos envolvidos na progressão da doença”, afirmou.
De acordo com o especialista, a expectativa é ampliar o tempo de autonomia, independência e qualidade de vida dos pacientes, além de oferecer novas perspectivas para familiares e cuidadores.