A presença de partidos políticos na vida da população ainda tem forte capilaridade em Minas Gerais e em municípios do Triângulo Mineiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizados em abril deste ano. O levantamento mostra que, em algumas cidades, a proporção de filiados chega a mais de um terço da população.
Em Uberaba, 8,1% da população está filiada a alguma legenda partidária. O cálculo considera o total de moradores do município, e não apenas o eleitorado apto a votar — o que inclui crianças e adolescentes.
No Triângulo Mineiro, os maiores percentuais aparecem em cidades de pequeno porte, onde a relação entre número de habitantes e filiações partidárias tende a ser mais elevada. Em Veríssimo, o índice é de 20,3%. Em Comendador Gomes, chega a 28,3%, enquanto Cachoeira Dourada registra 34,3%. Também aparecem com percentuais expressivos Pedrinópolis (23,1%), Araporã (23,9%) e São Francisco de Sales (24,8%).
Em Minas Gerais, o cenário mais extremo está em municípios de menor população, onde quase metade dos moradores aparece vinculada a partidos políticos. Em Grupiara (Alto Paranaíba), São Sebastião do Rio Preto (Central), Doresópolis (Centro-Oeste) e Serra da Saudade (Centro-Oeste), o índice chega a pelo menos 47%, segundo o TSE.
No conjunto do estado, o número de filiados se mantém praticamente estável nos últimos anos. Entre outubro de 2022 e o balanço mais recente, o crescimento foi de apenas 1%, mantendo Minas com cerca de 1,66 milhão de pessoas vinculadas a partidos políticos.
A série histórica mostra oscilações: em 2024, o estado chegou a 1,7 milhão de filiados; em 2025, recuou para 1,68 milhão; e no levantamento atual voltou a 1,66 milhão. O pico foi registrado em 2019, quando Minas Gerais somou 1,75 milhão de filiados.
Entre os partidos com maior número de filiados no estado, o MDB lidera com 180.947 registros. Em seguida aparecem PT (169.243), PRD — formado a partir da fusão entre Patriota e PTB — (145.504), PSDB (132.852), União Brasil (132.319), PP (120.133), PL (107.561), PDT (99.142), Podemos (89.081), PSB (50.898) e PSD (49.769).
Apesar da relevância numérica, o volume de filiados não se traduz automaticamente em vantagem eleitoral. O peso dessas bases depende de organização local, capacidade de mobilização e desempenho das campanhas em cada disputa.