NÃO PODE!

Retirada de abrigo e alimento de cães comunitários leva vereadora a pedir providências ao MP

Protetores denunciam remoção de casinhas e recipientes usados por quatro animais em Uberaba

Débora Meira
Publicado em 19/06/2026 às 10:29
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 (Foto/Divulgação)

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Protetores independentes denunciaram a retirada de casinhas, recipientes de água e alimentação de cães comunitários que vivem há cerca de três anos em um terreno localizado na avenida Dona Maria de Santana Borges, próximo ao Residencial Palmeiras, em Uberaba. O caso levou a vereadora Denise Max a anunciar que irá protocolar uma representação no Ministério Público para apuração dos fatos e busca de uma solução para os animais. 

Segundo relatos encaminhados à parlamentar, quatro cães vivem no local e recebem cuidados diários de voluntários. Imagens registradas pelos protetores mostram as casinhas reviradas e os recipientes utilizados para fornecer água e alimento removidos da área. 

De acordo com os cuidadores, a cadela conhecida como Branquinha apareceu na região há alguns anos e teve filhotes no terreno. Desde então, os animais passaram a ser acompanhados por protetores independentes, que providenciam alimentação, vacinação e procedimentos de castração com recursos próprios. 

Ainda conforme os relatos, Branquinha e uma de suas filhas já foram castradas, assim como outras duas fêmeas que posteriormente foram adotadas. Apenas dois machos ainda não passaram pelo procedimento devido à dificuldade de captura, já que são considerados muito ariscos. 

Após receber a denúncia, Denise Max esteve no local para verificar a situação. Segundo ela, foi orientado que a alimentação fosse colocada em uma área mais afastada, evitando que os animais ficassem desassistidos enquanto uma solução definitiva é buscada. 

A vereadora afirma também ter recebido relatos sobre possíveis transtornos causados pelos animais na região. Para ela, caso existam riscos à população, cabe ao poder público atuar de forma responsável e segura, sem que os cães sejam privados de abrigo, água e alimentação. "Diante dos fatos e das provas encaminhadas pelas protetoras, vou protocolar uma representação no Ministério Público para que o caso seja apurado e para que os órgãos competentes encontrem uma solução adequada, respeitando tanto a segurança da população quanto o bem-estar dos animais", declara. 

O episódio ocorre em um cenário de frequentes denúncias envolvendo violência e maus-tratos contra animais em Uberaba. No início deste mês, um cachorro conhecido como Miguelito foi resgatado no bairro Valim de Melo após sofrer uma suposta agressão a tijoladas. O animal precisou ser encaminhado ao Hospital Veterinário da Uniube (HVU), onde permaneceu internado para tratamento. Na ocasião, a vereadora também pediu apoio da população para identificar o responsável pela agressão. 

Protetores afirmam que situações semelhantes à registrada próximo ao Residencial Palmeiras têm ocorrido em diferentes pontos da cidade. Segundo eles, além dos gastos com alimentação, medicamentos, vacinação e castração, os voluntários frequentemente enfrentam resistência de moradores e até ameaças relacionadas ao cuidado com animais comunitários. 

O debate envolve uma questão já reconhecida pela legislação estadual e municipal. Os chamados animais comunitários, cães e gatos que vivem em espaços públicos e recebem cuidados da população, podem permanecer nesses locais, desde que sejam observadas condições de convivência e bem-estar. A legislação também permite que cidadãos forneçam alimento, água e abrigo a esses animais. 

Para os protetores, a situação evidencia a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção animal, evitando que a responsabilidade pelo cuidado recaia exclusivamente sobre voluntários. Enquanto aguardam providências, eles seguem monitorando os cães e garantindo assistência aos animais que permanecem no terreno. 

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