Em mais um capítulo da queda-de-braço entre o vice-presidente do PDT, empresário João Franco Filho, e seu correligionário Luiz Dutra, o primeiro acusa o segundo de encaminhar um documento à executiva do partido para que seja expulso e desta forma não correr o risco de perder seu mandato de vereador. Segundo o dirigente partidário, a manobra não tem respaldo junto aos seus pares e qualquer posição sobre este assunto somente será anunciada em 15 de outubro.
A data ultrapassa em uma semana o prazo final das filiações de quem pretende sair candidato em 2012, dia 7, ou seja, inviabilizando qualquer pretensão do presidente da Câmara de disputar o pleito, seja à reeleição ou outro cargo. Alegando que no momento a relação entre Dutra a o PDT é delicada e séria, João Franco expõe o ainda correligionário ao dizer que o documento encaminhado à Executiva foi redigido pelo próprio vereador apenas para os dirigentes assinarem, como se deles tivesse saído.
“O PDT não vai assinar e não toma nenhuma decisão antes do dia 15. Ele [Dutra] é quem vai decidir o que achar melhor”, alfineta. O vereador reagiu à declaração revelando que foi o presidente do partido, Luiz Henrique Borges, quem o procurou buscando um entendimento para evitar mais desgastes a todos. Por esse motivo diz que propôs a elaboração do documento para sua expulsão, ao passo que João Franco lhe teria apresentado o que chamou de “barganha por cargos” para permanecer na legenda.
“Não aceito esse tipo de coisa e nem cabresto”, disparou Dutra, que ainda chamou João Franco de ditador. O presidente da Câmara, que terá uma reunião com Marcos Montes (PSD) na sexta-feira, não fala em migrar para a nova sigla – que o livraria de um processo por infidelidade partidária sem prejuízo para seu mandato –, mas busca manter-se vivo na política partidária.