Dalva Leite pegou o microfone em plenário para defender a prefeita após cobrança de Thiago Mariscal sobre o Estrela da Vitória; vereadores de oposição reagiram à fala

(Foto/Reprodução Redes Sociais)
A disputa política em torno do Estrela da Vitória ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (7), quando Dalva Leite, mãe da prefeita Elisa Araújo (PSD), pegou o microfone no plenário da Câmara Municipal para defender a filha. Durante sua fala, dona Dalva revelou planos para uma futura disputa eleitoral para uma cadeira no Legislativo em 2028, fato que confirmou ao Jornal da Manhã.
O episódio ocorreu durante fala do vereador Thiago Mariscal (PSDB), que voltou a cobrar providências para o Estrela da Vitória. O bairro já vinha sendo palco de embate direto entre os dois desde sexta-feira, quando Elisa esteve na comunidade, encontrou o vereador no local e afirmou que os moradores não precisavam de “gritaria”, mas de solução. Na ocasião, a prefeita vistoriou as obras da rede de água potável, determinou atendimento presencial da Codau aos moradores que ainda precisam pedir a primeira ligação e anunciou medidas provisórias para melhorar as condições de tráfego nas vias.
Na sessão desta terça, Mariscal levou ao plenário reclamações de moradores e exibiu relatos sobre a situação das ruas do assentamento. O parlamentar criticou a Prefeitura pelo uso de material que classificou como lixo e entulho em uma tentativa de intervenção no local. Segundo ele, moradores pediram nivelamento das vias ou aplicação de fresa para reduzir a poeira e melhorar a circulação, mas teriam recebido restos de obra, com arames, pedras, ferros e outros resíduos.
Durante a fala, Mariscal afirmou que levaria amostras do material ao secretário de Governo, Caio Pressoto, e que também encaminharia a denúncia ao Ministério Público. O vereador voltou a cobrar soluções para problemas como esgoto a céu aberto, falta de asfalto e ausência de infraestrutura completa no Estrela da Vitória.
O assentamento vem sendo acompanhado pelo JM em uma série de desdobramentos. Em junho, após denúncia levada ao Ministério Público, Prefeitura e Codau assumiram compromissos para viabilizar a rede de água potável e apresentar solução para o esgotamento sanitário. Em audiência extrajudicial, ficou definido prazo de até 45 dias para a rede de água e até 30 de julho para a conclusão do projeto executivo do esgoto.
A rede de água começou a ser instalada ainda em junho, com cerca de 380 metros de tubulação. Na semana passada, a Codau informou que os moradores já poderiam solicitar individualmente a ligação de água, mediante apresentação de documento pessoal e comprovação de posse do imóvel, como contrato firmado com a Cohagra. O projeto executivo do esgotamento sanitário segue com previsão de conclusão para o fim de julho.
Após as críticas de Mariscal, o vereador Samuel Pereira (PMB), líder do Executivo na Câmara, pediu a palavra. Ele elogiou o trabalho do colega, mas sugeriu que as críticas fossem direcionadas à forma como o governo conduz os serviços, e não à pessoa da prefeita. Samuel também lembrou que Dalva Leite estava no plenário e disse que a mãe de Elisa poderia se sentir desconfortável com o tom das falas.
Na sequência, Dalva recebeu o microfone. “Não é batendo na prefeita, nem no prefeito, que a gente vai melhorar a cidade. É seguindo junto com o prefeito, olhando as coisas que estão erradas, levando até o prefeito e acudindo”, declarou. Em seguida, ao falar sobre o tipo de atuação que pretende ter, afirmou: “Eu não vou ser uma vereadora para ficar lenhando em cima do prefeito. Eu quero ajudar o prefeito a melhorar a cidade e não falar mal do prefeito”.
Questionada pelo JM se a fala havia sido apenas no calor do momento ou se a intenção de candidatura era real, Dalva confirmou que pretende disputar uma vaga na Câmara em 2028. “Tenho sim, vou mostrar pra muitos vereadores que acham que trabalho é ficar falando das pessoas desdenhando. Tem que alinhar com o governo e fazer as coisa darem certo”, afirmou.
Dalva também explicou que estava na Câmara porque foi convidada para acompanhar uma homenagem a um amigo. Sobre o que a motivou a pegar o microfone, afirmou que agiu como mãe. “Mãe não aguenta ver ninguém falar de suas crias, ainda mais de uma filha a qual o ensinamento sempre foi muito rigoroso de respeito e honestidade”, declarou.
A fala provocou reação de vereadores da oposição. Mariscal respondeu que respeita Dalva e a família da prefeita, mas afirmou que seu papel é representar a população. “Não estou aqui para puxar saco de prefeito, não estou aqui para puxar saco de ninguém. A única pessoa que a gente está aqui para representar é o povo na ponta”, disse.
Cléber Jr (MDB) também reagiu e afirmou que Dalva poderá entender melhor a função fiscalizadora do Legislativo caso seja eleita. Segundo ele, a ideia de que vereadores devem apenas “dar as mãos” ao governo não corresponde à realidade do mandato. “Esse conto de fadas, que a gente vai pegar na mão de um governo, de um prefeito e vai dar tudo certo, esse conto de fadas na vida real não existe”, declarou.
Diego Rodrigues (PDT) também se manifestou e criticou a ideia de que vereadores devam apenas acompanhar o Executivo. Para ele, a função do parlamentar é fiscalizar, cobrar e representar a população, inclusive quando há divergência com o governo.
Marcos Jammal (PSDB) afirmou que as críticas fazem parte da vida pública e que a prefeita “escolheu estar onde está”. O vereador também disse não ter visto desrespeito na fala de Mariscal e criticou o uso de resíduos de construção civil no Estrela da Vitória, caso a denúncia seja confirmada. Para ele, não seria razoável que os vereadores tratassem a situação como normal diante das queixas apresentadas pelos moradores.
Túlio Micheli (PSDB) adotou tom mais ponderado, mas também cobrou respeito ao Legislativo. O parlamentar afirmou compreender a postura de Dalva enquanto mãe, mas ressaltou que a Câmara trata da prefeita Elisa, e não da filha Elisa. “Esta Casa se prioriza em falar da prefeita Elisa e não da filha Elisa”, afirmou. Ele também disse que vereadores não escolhem ser oposição ou situação, mas atuam conforme aquilo que entendem ser correto.
Já Ismar Marão (PSD) ponderou que a reação de Dalva deve ser analisada sob a ótica de uma mãe defendendo a filha. Segundo ele, familiares de qualquer vereador ou agente público poderiam ter reação semelhante. Ainda assim, o episódio reforçou o clima de tensão entre base e oposição na Câmara, em uma sessão que começou com cobranças sobre infraestrutura no Estrela da Vitória e terminou com a primeira sinalização pública de Dalva Leite sobre a eleição municipal de 2028.