
A Polícia Civil alerta para a sofisticação dos crimes e para o crescimento das ocorrências no município (Foto/Reprodução)
Uberaba tem registrado uma sequência de casos de estelionato envolvendo golpes digitais, que vão desde falsas promessas de prêmios até fraudes bancárias complexas com uso de engenharia social e invasão de dispositivos. A Polícia Civil alerta para a sofisticação dos crimes e para o crescimento das ocorrências no município.
Em poucos dias, diferentes vítimas procuraram a polícia após prejuízos que variam de pequenos valores a perdas superiores a R$ 50 mil. Entre os casos recentes estão o golpe do bilhete premiado, em que uma idosa de 66 anos perdeu R$ 2,7 mil após ser convencida por criminosos, e a fraude envolvendo videochamada, na qual um idoso de 77 anos foi induzido a transferir cerca de R$ 50 mil sob a falsa promessa de um prêmio.
Também houve registro de um comerciante que perdeu R$ 58 mil após ser orientado por golpistas que se passaram por representantes de uma empresa e simularam a necessidade de “regularização de boleto”. Em outro caso, um jovem foi vítima de extorsão virtual após receber um convite para jogar online, ter o computador invadido e ser ameaçado com o vazamento de dados pessoais.
Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Meio Ambiente e Apropriação Indébita, Elinton Feitosa, explicou que os criminosos têm utilizado técnicas de engenharia social para manipular emocionalmente as vítimas e induzir decisões financeiras precipitadas.
Segundo ele, os golpes exploram principalmente a sensação de urgência e a confiança em supostas autoridades ou pessoas conhecidas. “Às vezes é o próprio filho dizendo que trocou de número e precisa de dinheiro. Esse tipo de golpe continua muito comum”, afirma.
O delegado reforça que a principal estratégia dos criminosos é reduzir o tempo de reação da vítima. “Toda cautela hoje é pouca. Em qualquer contato que envolva dinheiro, a pessoa deve confirmar a origem antes de agir”, disse.
Entre as modalidades mais frequentes, Feitosa destacou o golpe envolvendo compra e venda de veículos pela internet, que evoluiu para um modelo de triangulação entre vítimas. Nesse tipo de fraude, o criminoso se coloca como intermediário e engana simultaneamente comprador e vendedor. “O golpista clona o anúncio, fala com as duas pessoas e cria uma triangulação. Para um, ele diz que está comprando, para o outro, que está vendendo”, explica.
O delegado também chamou atenção para golpes envolvendo promessas de investimentos com ganhos elevados, especialmente em criptomoedas, que, segundo ele, são fortes indicativos de fraude. “Não existe ganho fácil. Quando alguém oferece lucro desproporcional, isso já é um alerta importante”, ressalta.
Feitosa destacou ainda que a Polícia Civil atua no rastreamento do dinheiro para tentar identificar os responsáveis e, quando possível, bloquear valores antes que sejam pulverizados entre contas. Segundo ele, a investigação depende da cooperação entre setores especializados e instituições financeiras.
Enquanto isso, a polícia reforça o alerta para que a população desconfie de contatos inesperados envolvendo dinheiro, evite transferências sem confirmação e busque sempre canais oficiais antes de qualquer operação financeira.