A inadimplência do crédito consignado para trabalhadores do setor privado chegou a 7,9% em maio, maior patamar desde fevereiro de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.
Em relação a abril, houve alta de 0,4 ponto percentual. De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, o avanço mensal é significativo e teve peso no resultado geral da inadimplência do sistema, que atingiu 7,6% em maio.
A expectativa da autoridade monetária é que a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FGTS, como garantia no programa Crédito do Trabalhador ajude a conter, mais adiante, tanto os índices de atraso quanto as taxas de juros. O governo federal anunciou a medida na segunda-feira.
Segundo Rocha, porém, os efeitos dessa mudança ainda dependerão da evolução dos próximos meses. Em maio, a taxa média de juros do consignado privado ficou em 54,1% ao ano, recuo de 2 pontos percentuais na comparação com abril. Com o uso das garantias no programa, o teto de juros foi fixado em 1,99% ao mês.
As concessões do consignado privado somaram R$ 7,6 bilhões em maio, abaixo dos R$ 9,9 bilhões registrados em abril. O Banco Central avalia que o movimento é compatível com a acomodação após o pico de março, quando a modalidade alcançou R$ 10,8 bilhões, o maior volume da série histórica iniciada em 2011.
Mesmo com a queda nas novas operações, o estoque total do consignado privado avançou 4,8% em maio e alcançou R$ 109,2 bilhões.
O Banco Central também informou que ainda não é possível medir com clareza os efeitos do Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas, sobre a inadimplência. Conforme Fernando Rocha, algumas linhas de crédito incluídas no alcance do programa tiveram aumento nos atrasos, enquanto outras registraram recuo.
Entre outras modalidades, a inadimplência do cartão de crédito rotativo subiu para 63% em maio, alta de 2,4 pontos percentuais frente a abril. Já no cartão parcelado, a taxa caiu 0,2 ponto percentual, para 12,5%.
No consignado do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, houve nova retração nas concessões. Em maio, foram liberados R$ 3,7 bilhões, queda de 25,4% em relação a abril, quando o total havia sido de R$ 4,9 bilhões.
Segundo Rocha, uma possível explicação para esse recuo está no endurecimento das regras para concessão desse tipo de crédito, especialmente após processo aberto no Tribunal de Contas da União, o TCU, que apontou falhas de controle por parte do INSS.