BILHÕES

Copasa é vendida por R$ 8,3 bilhões; recursos foram prometidos para obras no Triângulo

Governo de Minas deixou o controle da companhia, mas manteve participação de 5%; mudança também ocorre em meio a impasse regional sobre cobrança da tarifa do lixo

Publicado em 16/06/2026 às 15:36Atualizado em 16/06/2026 às 15:47
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 (Foto/Reprodução)

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A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi vendida nesta terça-feira (16), em operação que movimentou aproximadamente R$ 8,3 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo. Com a privatização, o Governo de Minas deixou o controle da empresa, mas manteve participação de 5% no capital e uma ação especial com poder de veto em decisões consideradas estratégicas.

O Grupo Equatorial Energia, por meio da subsidiária Gerais Saneamento, adquiriu 30% das ações da companhia e passa a ser o investidor de referência. O grupo pagou R$ 49,03 por ação, em aporte de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.

A gestora Perfin ficou com 12,76% das ações. Com a nova composição, a Equatorial terá 30% do capital, o Estado permanecerá com 5% e os outros 65% estarão distribuídos entre os demais acionistas.

Apesar da perda do controle, o Governo de Minas conservará uma ação especial, conhecida como "golden share", que garante poder de veto em decisões consideradas sensíveis.

Parte das ações adquiridas pela Equatorial terá restrição de venda. Metade dos papéis ficará bloqueada até junho de 2030. A outra parte não poderá ser negociada até dezembro de 2033 ou até o cumprimento das metas de universalização dos serviços de saneamento.

Segundo o governador Mateus Simões, a privatização não provoca alteração imediata nos serviços nem na definição das tarifas, que continuam submetidas à agência reguladora. Os municípios atendidos terão até setembro para decidir sobre a adesão ao novo modelo da companhia.

Recursos prometidos para a região

A conclusão da venda também coloca sob expectativa as obras rodoviárias prometidas pelo Governo de Minas para o Triângulo Sul. Durante agenda realizada em Uberaba em abril, Mateus Simões afirmou que os recursos obtidos com a privatização seriam destinados obrigatoriamente à infraestrutura rodoviária e que a expectativa era aplicar pelo menos R$ 1 bilhão na região.

Após reunião com prefeitos, deputados e representantes do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais, o governo anunciou mais de R$ 300 milhões para 16 intervenções no Triângulo Mineiro.

Entre as obras previstas para receber ordem de serviço ainda em 2026 estão a recuperação da ponte entre Delta e Igarapava, a implantação de terceiras faixas na AMG-2545, no acesso a Veríssimo, e a liberação de recursos para intervenções no trecho entre Conceição das Alagoas e Campo Florido.

Também foram anunciadas recuperações de rodovias em Itapagipe, Frutal, Planura e Pirajuba. Outras intervenções ficaram previstas para 2027 e 2028.

Embora o pacote tenha sido discutido no contexto da aplicação dos recursos da Copasa, o Estado não detalhou quanto do montante obtido com a venda será reservado para cada obra. A conclusão da operação, portanto, representa a entrada da fonte de recursos apontada pelo governo, mas não significa que todas as intervenções já estejam contratadas ou com execução garantida.

Impasse sobre tarifa do lixo

A mudança de controle da Copasa ocorre ainda em meio a uma pendência que afeta a concessão regional de resíduos sólidos coordenada pelo Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Regional do Vale do Rio Grande (Convale).

Desde o início da concessão, o formato para cobrança da tarifa do lixo na conta de água tem impedido que parte dos municípios atendidos pela Copasa emita as ordens de serviço para a concessionária regional.

O contrato prevê a criação de uma conta independente para o recebimento dos valores pagos pelos usuários, com posterior divisão entre os prestadores dos serviços de água e de coleta de resíduos. A Copasa, porém, propôs receber o pagamento integral em conta própria e repassar depois a parcela referente à tarifa do lixo.

O modelo não foi aceito pela concessionária contratada pelo Convale. Diante do impasse, o consórcio acionou o Ministério Público de Minas Gerais para intermediar uma solução com a companhia. O pedido foi apresentado ao promotor Carlos Valera.

Uberaba continua como o único dos oito municípios integrantes da concessão com todos os serviços executados pela concessionária contratada pelo Convale. Conforme informado pela direção do consórcio no início deste ano, quatro cidades ainda tinham pendências relacionadas à Copasa, enquanto outras três, que possuem sistemas próprios de água, precisavam realizar adequações.

Conceição das Alagoas e Sacramento já haviam ajustado a cobrança na conta de água e estavam próximas de emitir as ordens de serviço. Delta ainda realizava levantamentos e adaptações no sistema hídrico.

Ainda não há informação sobre eventual impacto da privatização nas negociações entre Copasa, Convale, municípios e Ministério Público. A mudança de controle da companhia não encerra automaticamente contratos, obrigações ou tratativas que já estavam em andamento.

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