Levantamento da Sobrasa aponta que o Estado, mesmo sem litoral, tem taxa de mortes maior que São Paulo e Rio de Janeiro
Minas Gerais aparece em posição de alerta no mapa dos afogamentos no Brasil. Boletim da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), divulgado neste ano, mostra que o Estado registrou, em 2024, taxa de 2,1 mortes por afogamento a cada 100 mil habitantes. O índice fica abaixo do Espírito Santo, que teve 4,4, mas supera São Paulo, com 1,5, e Rio de Janeiro, com 1,7, ambos com litoral.
O dado ganha relevância neste 25 de julho, Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, em um cenário em que rios, lagos, represas e cachoeiras seguem como ambientes de risco para moradores de Minas e de cidades do interior, como Uberaba, especialmente em períodos de calor, férias e fins de semana.
Outro ponto destacado pelo levantamento é a presença de mineiros entre as vítimas que morreram durante viagens. Das 217 mortes por afogamento registradas nessa condição em 2024, 13% eram de moradores de Minas Gerais. O percentual deixa o Estado atrás apenas de São Paulo, que respondeu por 14% dos casos.
No país, uma pessoa morre afogada a cada 90 minutos. Em 2024, foram 5.742 óbitos, o que representa quase 16 vítimas por dia, segundo a Sobrasa. Embora a entidade aponte queda de cerca de 39% na mortalidade por afogamento nas últimas décadas, o problema permanece entre as principais causas de mortes evitáveis no Brasil.
O perfil das vítimas também é bem definido. Pessoas de 15 a 49 anos concentram 57% dos óbitos. Antes dos 29 anos, ocorrem 41% das mortes. Entre crianças, a Sobrasa estima cerca de quatro mortes por dia, totalizando aproximadamente 1.395 por ano.
Nos casos envolvendo crianças, os acidentes tendem a ocorrer dentro de casa ou nas proximidades, principalmente em piscinas e espelhos d’água. Entre adolescentes e adultos, as mortes são mais frequentes em ambientes naturais, como rios, represas e praias.
Homens são as principais vítimas. De acordo com o boletim, eles morrem afogados, em média, seis vezes mais que as mulheres. Na faixa de 25 a 29 anos, o risco masculino chega a ser 14 vezes maior.
A Sobrasa também chama atenção para uma percepção equivocada sobre o perigo. O mar não é o único nem necessariamente o principal cenário de risco. Rios, represas e outros ambientes naturais concentram parte expressiva das ocorrências, principalmente por causa de correntezas, variações bruscas de profundidade, pedras submersas e ausência de guarda-vidas.
O período do ano influencia diretamente as estatísticas. Três em cada dez afogamentos ocorrem entre dezembro e fevereiro, meses de verão e férias escolares. Mais de 65% dos registros acontecem em fins de semana e feriados, e mais da metade das ocorrências é concentrada entre 10h e 14h, horário de maior movimento em locais de banho.
O levantamento compara ainda os afogamentos com mortes causadas por desastres naturais. Entre 1991 e 2024, o Brasil registrou 5.142 mortes por eventos como enchentes e deslizamentos. No mesmo intervalo, a mortalidade por afogamento foi 43 vezes maior, segundo a Sobrasa.
A rapidez das ocorrências ajuda a explicar a gravidade dos casos. A cada 100 brasileiros que morrem afogados, 90 não chegam ao hospital. Entre os que recebem atendimento médico, um em cada dez não resiste.
A presença de guarda-vidas é apontada como fator decisivo para reduzir mortes. Conforme a Sobrasa, o risco de óbito por afogamento em áreas sem monitoramento é 60 vezes maior do que em locais acompanhados por esses profissionais. A entidade informa ainda que, a cada 18 resgates feitos por guarda-vidas, apenas uma vítima precisa ser encaminhada ao hospital.
Em Minas, a ausência de mar não reduz o risco. A combinação de rios, represas, lagos e cachoeiras espalhados pelo território aumenta a exposição da população a ambientes naturais de banho, onde nem sempre há sinalização, estrutura de socorro ou supervisão adequada.