QUEM VAI PAGAR A CONTA?

Pedidos pelo iFood podem ficar mais caros em Uberaba, alerta Sinhores

Sindicato afirma que logística obrigatória da plataforma pode elevar custos dos restaurantes e ser repassada ao consumidor

Débora Meira
Publicado em 13/07/2026 às 11:37
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Os pedidos feitos pelo iFood em Uberaba devem ficar mais caros a partir de agosto. A projeção é do presidente do Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores), Fernando Abdalla. Ao Pingo do J, o representante classista afirma que a obrigatoriedade da entrega realizada pelo aplicativo pode elevar as despesas dos estabelecimentos, reduzir margens de lucro e afetar consumidores e trabalhadores do setor. 

O iFood informou ao Jornal da Manhã que Uberaba foi escolhida, junto com Imperatriz (MA), para participar de um projeto-piloto de logística integrada. Com a mudança, prevista para agosto de 2026, os pedidos realizados pelo aplicativo passarão a utilizar o plano de entrega da própria plataforma, no qual o entregador é acionado e gerenciado pelo iFood. 

Segundo Fernando Abdalla, atualmente os restaurantes pagam uma comissão de aproximadamente 12% por pedido realizado pela plataforma, além de uma taxa financeira de 3,2%. Com a inclusão obrigatória da entrega pelo iFood, o custo total para os estabelecimentos poderia ultrapassar 30%, conforme estimativa apresentada pelo sindicato. 

"Quem vai pagar essa conta é o consumidor final, porque os estabelecimentos não têm como absorver esse impacto", afirma Abdalla. 

O presidente da entidade explica que, atualmente, alguns restaurantes conseguem reduzir custos utilizando equipes próprias de entrega. Nesses casos, os empresários conseguem administrar a quantidade de funcionários conforme a demanda e não possuem uma cobrança individual por cada entrega realizada. 

"O iFood vai te cobrar por entrega. Naturalmente, os clientes da plataforma vão passar a pagar mais caro, porque esse custo vai ser repassado para o consumidor", declara. 

Além da preocupação com os preços, o Sinhores afirma que a mudança pode afetar restaurantes que possuem equipes próprias de motoboys. Segundo a entidade, estabelecimentos que utilizam entregadores contratados diretamente podem ser obrigados a rever esse modelo para continuar utilizando a plataforma. 

"Estamos muito preocupados, porque Uberaba e Imperatriz foram escolhidas como cidades-piloto. O projeto é muito claro: eles impedem que os estabelecimentos utilizem seus entregadores próprios para fazer as entregas provenientes do iFood", afirmou Abdalla. 

De acordo com o presidente do sindicato, alguns restaurantes possuem grande dependência da plataforma e mantêm equipes próprias justamente para garantir maior controle da operação. 

"Existem estabelecimentos que hoje têm 90% do seu faturamento provenientes de venda pelo iFood e não necessariamente usam a entrega da plataforma. Um estabelecimento que tem quatro entregadores, por exemplo, vai ter que mandar todo mundo embora", disse. 

Outro ponto levantado pelo Sinhores é a redução da autonomia dos empresários sobre a operação. Segundo Abdalla, a mudança pode fazer com que os estabelecimentos tenham menos controle sobre o relacionamento com os clientes e sobre o processo de entrega. "O restaurante virou nada mais, nada menos que uma cozinha para o iFood, porque ele faz a venda, pega o cliente e controla a entrega", afirma. 

O sindicato também demonstra preocupação com períodos de alta demanda, como dias de chuva, feriados e eventos. Segundo Abdalla, a disponibilidade de entregadores da plataforma pode não acompanhar o aumento dos pedidos. "A nossa preocupação é que o iFood não suporta essa demanda em alguns momentos. Quando tem chuva, por exemplo, muitos entregadores deixam de trabalhar e o restaurante fica com o produto pronto esperando uma entrega", explica. 

Diante da mudança prevista, o Sinhores orienta empresários a fortalecerem canais próprios de venda, como aplicativos, WhatsApp e atendimento direto aos consumidores, para reduzir a dependência da plataforma. 

Segundo Abdalla, mais de 40 empresários participaram de uma reunião para discutir estratégias diante do novo cenário. "A gente precisa estar preparado para receber os pedidos dos clientes fora da plataforma. Hoje o aplicativo facilita muito, mas os estabelecimentos precisam melhorar o atendimento direto, criar alternativas e manter uma boa experiência para o consumidor", afirma. 

A entidade informou ainda que pretende buscar diálogo com o iFood para discutir o modelo e avalia medidas junto a órgãos como Procon e Ministério Público.

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