A forte neblina que encobriu Uberaba nos últimos dias e marcou manhãs frias na cidade tem relação direta com a chegada de massas de ar frio à região. E, segundo a climatologista e professora Alcione Wagner, novos episódios devem se repetir até o fim do mês.
De acordo com a especialista, o fenômeno está ligado à infiltração de ar frio sobre o Triângulo Mineiro a cada passagem de frente fria. Ainda são esperadas duas novas frentes frias em junho. “Há relação com a infiltração de ar frio sobre a região e deve continuar a ocorrer até o final do mês, em toda passagem de frente fria. Uma no final de semana e outra no decorrer da última semana do mês”, afirma.
A combinação entre noites frias, umidade do ar e ventos fracos favorece a formação da neblina nas primeiras horas do dia, cenário que tem sido registrado em diferentes pontos da cidade.
O destaque, porém, fica para a nova massa de ar polar prevista para a próxima semana, que poderá provocar as temperaturas mais baixas do ano em Uberaba. “Será a mais intensa até o momento, com previsão de mínimas inferiores a 10°C e possibilidade de geada leve em áreas de baixada”, destaca Alcione Wagner.
Segundo a climatologista, a frente fria prevista para a última semana de junho deve ter reflexos em grande parte do país, incluindo o Sudeste. A expectativa é de queda mais acentuada das temperaturas justamente nos primeiros dias do inverno.
A especialista lembra que junho já apresenta características típicas da transição para a estação mais fria do ano, com sucessivas entradas de ar frio. A frente fria prevista para os próximos dias, segundo ela, tende a ser a mais intensa registrada até agora em 2026.
Em Uberaba, a previsão aponta manhãs frias e tardes amenas nos próximos dias. As mínimas devem variar entre 13°C e 15°C até segunda-feira (22), com tempo seco e sem previsão de chuva significativa, antes da chegada do ar polar mais intenso.
Sobre o segundo semestre, Alcione Wagner afirma que o frio previsto para os próximos dias não altera as projeções climáticas para 2026, e o cenário de formação do El Niño permanece mantido. “Não há alteração. Na segunda quinzena de julho começa a sentir os impactos do El Niño de forma gradativa. O alerta para o maior impacto será de novembro a janeiro, com seca e ondas de calor”, explica.
Segundo a professora, a influência do fenômeno climático deve ser sentida de forma gradual ao longo dos próximos meses, com reflexos mais significativos no fim do ano e no início de 2027.
Para a transição entre o inverno e a primavera, a climatologista prevê baixa umidade do ar e chuvas irregulares na região. “A primavera na região é de baixa umidade e chuva irregular, com temporais isolados no final de outubro e novembro. Com o El Niño, teremos também ondas de calor”, afirma.
Quanto ao risco de queimadas, Alcione Wagner ressalta que o aumento das temperaturas e a redução das chuvas favorecem a propagação dos incêndios, mas lembra que a maioria das ocorrências tem origem humana. “Com o aumento do calor e a redução das chuvas, há aumento da propagação de incêndios. Mas os incêndios são causados pelo ser humano, segundo dados, acima de 90%. Então cabe a prevenção e o cuidado com o fogo”, destaca.
A recomendação é que a população aproveite o período para reforçar os cuidados com a saúde, especialmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, além de evitar práticas que possam provocar queimadas durante a estação seca.