EL NIÑO

El Niño acende alerta no campo e pode pesar no preço dos alimentos em Uberaba

Chuvas irregulares e ondas de calor preocupam produtores, especialmente nas culturas de hortaliças, soja e milho

Débora Meira
Publicado em 12/07/2026 às 10:10
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O fortalecimento do fenômeno El Niño nos próximos meses acende um alerta para o setor produtivo de Uberaba e região. A previsão de alterações no padrão de chuvas, possibilidade de períodos mais secos e ocorrência de ondas de calor pode afetar culturas agrícolas e aumentar os custos de produção, com possíveis reflexos nos preços de alimentos ao consumidor. 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), informou que o fenômeno deve ganhar intensidade entre julho e setembro, aumentando a probabilidade de eventos climáticos extremos, como estiagens, chuvas intensas e ondas de calor em diferentes regiões do mundo. (https://jmonline.com.br/geral/el-ni-o-deve-ganhar-forca-e-aumentar-risco-de-eventos-extremos-ate-setembro-1.643298 ) 

Na avaliação da climatologista Wanda Prata, embora ainda exista incerteza sobre a intensidade do fenômeno, o cenário exige atenção, principalmente por causa das mudanças no comportamento do clima nos últimos anos. 

Segundo ela, a formação do El Niño ocorre em um período de alterações climáticas globais, o que dificulta previsões de longo prazo. A especialista explica que a presença de bloqueios atmosféricos pode interferir na chegada das chuvas ao Sudeste. “A gente tem probabilidade de que a chuva seja ligeiramente abaixo das médias com o El Niño em andamento, mas há possibilidade também de que essas chuvas sejam muito localizadas. E esse fato vai trazer transtorno para a soja, para o milho que é plantado nessa época”, afirma. 

Wanda destaca que, caso os bloqueios permaneçam sobre a região, o período de plantio pode ser prejudicado. “Se esse bloqueio estiver aqui, eu não tenho chuva nem em agosto, nem em setembro, nem em outubro. E se ele continuar, eu não tenho chuva nem em novembro, nem em dezembro”, explica. 

Segundo a climatologista, além da irregularidade das chuvas, outro fator de preocupação são as temperaturas acima da média. Ela aponta que ondas de calor durante o período agrícola podem comprometer o desenvolvimento das lavouras. “As temperaturas estão três graus acima da média. Então, se nós tivermos temperaturas entrando em ondas de calor, o que plantou também não vai bem”, afirma. 

O presidente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros e da Agroindústria Familiar do Vale do Rio Grande (Horvagra), Sérgio Nepomuceno, afirma que as hortaliças estão entre as culturas mais vulneráveis às alterações climáticas. 

Segundo ele, além das hortaliças, culturas como café, cana-de-açúcar e cereais também podem sofrer impactos, assim como a pecuária, que depende diretamente das condições de estiagem e disponibilidade de água. “Os alimentos in natura são extremamente sensíveis a extremos climáticos. Entre os impactos estão a redução da oferta, quebra de safra por calor extremo, alteração no ciclo de maturação, perda de qualidade dos produtos e aumento da incidência de pragas e doenças”, informa. 

O representante da Horvagra explica que uma eventual redução da produção pode refletir diretamente no consumidor. “A quebra de produção agrícola gera uma redução da oferta no mercado, o que tende a influenciar os preços dos produtos”, destaca. 

Apesar das incertezas, produtores da região já adotam estratégias para reduzir os impactos do clima, como mudanças no manejo do solo, uso de cobertura vegetal, plantio direto, investimentos em irrigação e utilização de tecnologias para conservação de umidade. 

De acordo com Nepomuceno, as medidas têm como objetivo aumentar a resistência das lavouras diante de períodos de calor intenso e irregularidade das chuvas. 

Ele orienta que consumidores mantenham cautela e evitem compras exageradas por medo de desabastecimento. “Não há necessidade de pânico ou estocagem exagerada. O abastecimento deve continuar, embora possam ocorrer oscilações pontuais de preços”, afirma. 

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