A Fundação de Ensino Técnico Intensivo “Dr. Renê Barsam” (Feti) já rompeu parcerias com empresas de Uberaba após identificar problemas no tratamento e nas atividades destinadas a jovens aprendizes. Entre as situações relatadas estão ausência de acompanhamento profissional, falta de estrutura adequada e utilização do adolescente como trabalhador comum, sem o processo de formação previsto no programa.
A informação foi apresentada pela presidente da Feti, Sonia Manzan, durante entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM. Segundo ela, a instituição acompanha os aprendizes tanto durante as atividades formativas quanto dentro das empresas e pode retirar o jovem do local quando identifica irregularidades.
“Quando detectamos que a empresa quer somente o trabalho do jovem e não existe o processo de aprendizagem, já tivemos que encerrar contratos. A gente não pode compactuar com isso”, afirmou.
Os jovens vinculados à Feti trabalham quatro dias por semana na empresa e retornam à instituição em um dia para as atividades de aprendizagem. Conforme Sonia, esse contato permite que os participantes relatem dificuldades, mudanças de função ou situações incompatíveis com a proposta do programa.
A fundação também realiza visitas às empresas e recebe relatórios periódicos sobre o desempenho dos aprendizes. Quando surge alguma reclamação ou dúvida, a equipe procura verificar o caso diretamente no ambiente de trabalho.
Sonia relatou uma situação em que uma empresa mudou de endereço sem comunicar a Feti. Durante a visita ao novo local, a equipe constatou que não havia computador, telefone ou espaço adequado para o jovem beber água. O único banheiro disponível era químico e ficava na área externa.
Segundo a presidente, a empresa alegava que o aprendiz não estava desempenhando adequadamente as funções, mas o local também não oferecia condições para que ele realizasse as atividades administrativas para as quais havia sido encaminhado.
“Não existia computador, não existia telefone, e ele não era a pessoa que tinha que fazer massa de cimento. Essas situações acontecem”, relatou, sem identificar a empresa.
A Feti também pode transferir o jovem para outra oportunidade quando considera que a continuidade no local não é adequada. Nos casos mais graves, a instituição encerra a parceria com a empresa.
Sonia ressaltou que o aprendiz está no primeiro emprego e precisa ser orientado por um profissional responsável dentro da empresa. Segundo ela, algumas organizações esperam receber um trabalhador já preparado, embora a finalidade do programa seja justamente proporcionar formação e experiência.
“Tem que existir essa empatia para ensinar. Muitas empresas querem o jovem pronto, mas não tem como. É o primeiro emprego, é o começo”, declarou.
Atualmente, conforme a presidente, aproximadamente 700 jovens vinculados à Feti atuam em 223 empresas parceiras de Uberaba. Em março, o JM havia informado que a fundação mantinha quase 700 aprendizes distribuídos em cerca de 200 empresas.
Antes de encaminhar um aprendiz, a Feti verifica o local onde ele trabalhará, incluindo condições de segurança, salubridade e estrutura. Durante o contrato, a empresa deve avaliar periodicamente o jovem, enquanto a fundação acompanha tanto o desempenho dele quanto o cumprimento das responsabilidades assumidas pela organização.