Entre 30% e 40% dos jovens aprendizes atendidos pela Fundação de Ensino Técnico Intensivo “Dr. Renê Barsam” (Feti) são efetivados pelas empresas onde iniciaram a experiência profissional. A estimativa foi apresentada pela presidente da instituição, Sonia Manzan, durante entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM.
Atualmente, cerca de 700 jovens vinculados à Feti estão inseridos no mercado de trabalho em Uberaba. Segundo Sonia, algumas empresas contratam o aprendiz como funcionário antes mesmo do encerramento do programa, permitindo que outro jovem seja encaminhado para ocupar a vaga de aprendizagem.
“Temos um índice de contratação muito grande. Muitos chegam à empresa e, com três meses de contrato conosco, já são absorvidos. Eles entram como funcionários e nós fazemos a reposição de outro jovem”, explicou.
A fundação mantém parceria com mais de 200 empresas de Uberaba. Em março, o JM informou que quase 700 aprendizes estavam distribuídos em cerca de 200 organizações parceiras. Em junho, a rede já reunia 233 empresas.
De acordo com Sonia, a permanência do jovem está relacionada também à disposição da empresa para ensinar. Como se trata, na maioria dos casos, da primeira experiência profissional, o aprendiz ainda precisa conhecer rotinas, ferramentas e comportamentos esperados no ambiente de trabalho.
“Muitas empresas querem o jovem pronto, mas não tem jeito. É o primeiro emprego dele, é o começo. Tem que existir essa empatia para ensinar”, afirmou.
A Feti acompanha o desempenho por meio de avaliações feitas pelas empresas, conversas com os aprendizes e visitas aos locais de trabalho. O ideal, segundo a presidente, é que a avaliação formal ocorra a cada três meses, permitindo identificar dificuldades e orientar tanto o participante quanto a organização.
Sonia destacou que algumas empresas também promovem a passagem dos aprendizes por diferentes departamentos. Um jovem inicialmente encaminhado para a recepção, por exemplo, pode demonstrar maior aptidão para os setores financeiro, administrativo, de estoque ou tecnologia da informação.
A estratégia permite que o participante conheça diferentes funções e ajuda a empresa a identificar onde ele poderá ter melhor desempenho caso seja contratado definitivamente.
A presidente relatou ainda o caso de um jovem que participou de sete entrevistas sem ser selecionado. Após ser incentivado pela equipe da Feti a tentar novamente, ele conseguiu uma oportunidade e, posteriormente, tornou-se gerente de uma rede de supermercados de Uberaba.
Em 2025, cerca de 700 jovens foram contratados por empresas privadas por intermédio da Feti, conforme balanço divulgado pela instituição. O Programa de Aprendizagem atendeu 1.230 participantes ao longo daquele ano, considerando a movimentação de entradas, saídas e reposições.
O percentual de efetivação apresentado por Sonia não foi detalhado por período ou turma durante a entrevista. Ainda assim, a presidente avaliou que a contratação antes do encerramento do programa demonstra que parte das empresas utiliza a aprendizagem como caminho para formar e incorporar novos profissionais.