Após as polêmicas envolvendo o projeto-piloto de logística integrada em Uberaba, o iFood anunciou mudanças na forma como a iniciativa será implantada na cidade. Em nota enviada ao Jornal da Manhã, a empresa informou que revisou o modelo após diálogo com restaurantes, entidades representativas e parceiros locais, permitindo que parte dos estabelecimentos continue utilizando entregadores próprios.
Segundo o iFood, o objetivo de ampliar a eficiência da operação foi mantido, mas a estratégia de implementação passou por ajustes. "A empresa manteve o objetivo de ampliar a eficiência da operação e fortalecer o ecossistema local, mas revisou a forma de conduzir essa transição para torná-la mais aderente às diferentes realidades dos parceiros", informa.
A plataforma explica que os restaurantes serão classificados de acordo com o score do programa Super, que avalia indicadores de eficiência operacional e experiência do cliente. Os estabelecimentos com notas 1 e 2 serão convidados prioritariamente a migrar para a logística da empresa, enquanto aqueles com notas 3, 4 e 5 poderão continuar escolhendo o modelo de entrega mais adequado para sua operação.
De acordo com o iFood, a decisão foi baseada em resultados obtidos em operações que já utilizam sua logística. Segundo a empresa, restaurantes que trabalham com esse modelo registraram crescimento médio de 40%, índice superior ao observado entre estabelecimentos que mantiveram logística própria.
A empresa afirma ainda que os parceiros que optarem pela logística do iFood terão acesso a campanhas promocionais, descontos em taxas de entrega, prioridade em ferramentas de crescimento, como Turbo e Hits, além de suporte dedicado durante todo o processo de transição.
Para os entregadores, o iFood informa que aqueles que se cadastrarem na plataforma poderão acessar benefícios como seguro pessoal de até R$ 120 mil, programas de incentivo, capacitação gratuita por meio do iFood Decola e novos equipamentos de trabalho. Já para os consumidores, a empresa sustenta que o novo modelo permitirá entregas mais rápidas, menor índice de cancelamentos e maior previsibilidade no acompanhamento dos pedidos.
A mudança representa uma alteração em relação ao modelo inicialmente anunciado para Uberaba, que previa a utilização exclusiva da logística da plataforma e gerou preocupação entre empresários do setor de alimentação.
Após as negociações, o Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Uberaba (Sinhores) classificou a decisão como um avanço para os estabelecimentos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente da entidade, Fernando Abdalla, afirmou que a flexibilização preserva a autonomia da maioria dos restaurantes. "Todos os estabelecimentos que tiverem um nível acima de 3 poderão decidir como querem fazer a entrega: se vão utilizar entregadores próprios, a modalidade Flex ou a logística Full do iFood", afirma.
Segundo Abdalla, atualmente cerca de 87% dos restaurantes de Uberaba possuem nota igual ou superior a 3 na plataforma e, por isso, poderão escolher o modelo de entrega. A classificação considera o desempenho dos últimos 90 dias, levando em conta critérios como avaliações dos consumidores, cancelamentos de pedidos e eficiência operacional.
O presidente do Sinhores explicou ainda que os restaurantes com notas 1 e 2 precisarão aderir aos modelos Flex ou Full do iFood, mas terão um período para melhorar seus indicadores antes da mudança definitiva.
Durante o pronunciamento, Abdalla também afirmou que a plataforma garantiu que os contratos atuais serão preservados e que as condições comerciais dos estabelecimentos não serão pioradas com a implantação do projeto. Segundo ele, o sindicato continuará acompanhando a implementação das mudanças e orientando os empresários sobre a modalidade mais adequada para cada operação.
Uberaba e Imperatriz (MA) permanecem como as duas cidades escolhidas pelo iFood para testar o novo modelo de logística antes de uma eventual expansão para outras regiões do país.