EMPREGOS NA MIRA

Bolsa de qualificação pode evitar demissões na Mosaic

Marconi Lima
Publicado em 17/07/2026 às 20:33Atualizado em 17/07/2026 às 20:36
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O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Uberaba (Stiquifar) informou que se reuniu com representantes da Mosaic P&K e iniciou as negociações para tentar preservar os empregos na unidade de Uberaba durante o período de hibernação anunciado pela empresa. No encontro, as partes discutiram a adoção da Bolsa de Qualificação Profissional como alternativa para minimizar os impactos sobre os trabalhadores.

Conforme o Stiquifar, a proposta é baseada em mecanismo previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que permite a suspensão temporária dos contratos para participação dos empregados em cursos de qualificação profissional. Durante esse período, os trabalhadores recebem uma bolsa financiada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), podendo ter a remuneração complementada pela empresa.

Pela proposta em negociação, parte dos empregados permaneceria na unidade participando de treinamentos, enquanto outra parte seria encaminhada para cursos de qualificação durante a suspensão temporária dos contratos. O objetivo é evitar desligamentos, preservar a renda dos trabalhadores e manter a mão de obra qualificada para quando as atividades forem retomadas.

O Stiquifar informou que o modelo já foi adotado em empresas do setor sucroenergético e reiterou que a prioridade das negociações é garantir a manutenção dos postos de trabalho e dos benefícios dos empregados. Durante o período de suspensão contratual, deixam de ser pagos apenas adicionais vinculados à efetiva prestação do serviço, como insalubridade, periculosidade e adicional noturno, conforme prevê a legislação.

Caso haja consenso entre empresa e sindicato, a proposta ainda precisará ser formalizada por meio de acordo coletivo e submetida à aprovação dos trabalhadores em assembleia geral. Uma nova rodada de negociações está prevista para a próxima semana.

A discussão ocorre após a Mosaic confirmar que iniciará, a partir de setembro, a hibernação gradual do complexo industrial de Uberaba. A empresa atribui a decisão às dificuldades no fornecimento global de enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados. 

Empresa reafirma que hibernação é temporária e depende do enxofre

Procurada pela reportagem do Jornal da Manhã após a reunião com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Uberaba (Stiquifar), a Mosaic informou que a redução temporária da produção em parte de suas operações de fosfato no Brasil está sendo conduzida com foco na segurança, na transparência e na redução dos impactos para empregados, fornecedores, clientes, comunidades e agricultores. A empresa também afirma que mantém diálogo com representantes sindicais, parceiros comerciais e autoridades, ao mesmo tempo em que busca alternativas para garantir o abastecimento de matérias-primas.

Segundo a companhia, as medidas decorrem das restrições no fornecimento mundial de enxofre, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. A empresa atribui o cenário à instabilidade geopolítica, às limitações nas rotas marítimas internacionais, ao aumento da demanda global e à alta dos custos da matéria-prima.

A Mosaic explica que são necessárias cerca de quatro toneladas de enxofre para produzir dez toneladas de fertilizantes fosfatados, como DAP e MAP. Diante da redução da oferta e da elevação dos preços, a empresa revisou seu planejamento operacional para o segundo semestre de 2026 e promoveu ajustes temporários em diferentes unidades.

Nas unidades de produção, as paralisações temporárias em Tapira (MG) e Catalão (GO) foram prorrogadas. Em Uberaba, a empresa confirma que a hibernação gradual do complexo industrial terá início em setembro, em razão das limitações no fornecimento de enxofre.

Na nota, a Mosaic ressalta que as medidas são temporárias e não representam mudança em sua estratégia de longo prazo para a produção de fosfato. A retomada das operações em plena capacidade dependerá da normalização do mercado internacional de enxofre, ainda sem prazo definido, já que está condicionada à evolução do cenário geopolítico, da logística internacional e da recomposição da oferta da matéria-prima. 

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