Unidade tem cerca de 3 mil presos para 1,6 mil lugares, enquanto Minas acumula déficit de 30 mil vagas

(Foto/Divulgação)
A superlotação da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em Uberaba, volta ao centro do debate sobre segurança pública em Minas Gerais. Com capacidade para cerca de 1,6 mil detentos e população prisional próxima de 3 mil internos, a unidade opera acima do limite enquanto o Estado intensifica o combate às facções criminosas, com destaque para a recente Operação Cerco Fechado, que contou com a apreensão de cerca de R$ 27 mil em espécie, nove armas de fogo e dezenas de munições, além de 38 prisões ratificadas e 46 pessoas conduzidas.
Em agenda em Uberaba nesta segunda-feira (22), o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, reconhece a gravidade do cenário, mas pondera que o problema não se restringe ao município. Segundo ele, Minas Gerais possui atualmente cerca de 72 mil presos e déficit de 30 mil vagas no sistema prisional.
“Hoje, em Minas, tem um sistema prisional com 72 mil presos. Nós temos um déficit prisional de 30 mil vagas. Nós precisamos urgente de construção de novas unidades prisionais”, afirma.
Sobre a situação da unidade de Uberaba, Greco ressalta que o Estado enfrenta dificuldades para redistribuir detentos devido à realidade do sistema prisional mineiro. Segundo ele, das 166 unidades existentes, cerca de 60 estão interditadas.
“Enquanto a gente tiver essas interdições, vai ficar muito complicado, muito difícil você remanejar esses presos todos”, declara.
A visita do secretário ocorre durante a Operação Cerco Fechado, considerada pelo Governo de Minas a maior ação integrada de combate ao crime organizado já deflagrada no Estado. A força-tarefa reúne Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Federal com foco na desarticulação de facções criminosas, cumprimento de mandados judiciais e combate ao tráfico de drogas.
O Triângulo Mineiro está entre as regiões prioritárias da operação. Desde o início da ofensiva, em 1º de junho, diversas ações são realizadas na região. Entre os principais resultados está o desmantelamento de um laboratório clandestino de refino de cocaína no bairro Parque das Gameleiras, em Uberaba, ação que resultou na prisão de quatro suspeitos.
Greco também comenta sobre os criminosos de alta periculosidade presos recentemente em Uberaba e destaca que Minas conta com unidades específicas para custódia de integrantes de facções e outros detentos considerados de elevado risco.
“Hoje, por conta desses faccionados, nós temos seis unidades específicas para presos faccionados, todas elas com bloqueadores de celular, com monitoramento de visitas. São unidades especiais justamente para lidar com esse tipo de criminalidade”, diz.
O secretário ressalta ainda que o trabalho de inteligência continua após as prisões e é fundamental para identificar a real ligação dos investigados com organizações criminosas.
“A inteligência para nós é fundamental, inclusive para identificar se é faccionada ou não. Muitas vezes uma pessoa pode se autointitular faccionada e não ser”, pontua.
Além de Rogério Greco, participam da agenda em Uberaba a comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos, e o superintendente da Polícia Civil de Minas Gerais, Hugo Malhano. As autoridades acompanham os desdobramentos da Operação Cerco Fechado e discutem estratégias para ampliar o enfrentamento às organizações criminosas que atuam no Triângulo Mineiro.
A avaliação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública é que a integração entre as forças de segurança e o fortalecimento do trabalho de inteligência são fundamentais para enfraquecer a atuação das facções criminosas na região, embora o sistema prisional continue enfrentando o desafio da falta de vagas.