FALTA DE PREPARO

Falta de preparo aumenta risco em enchentes, incêndios e desastres, alerta especialista

Bombeiros cobram identificação de áreas vulneráveis e orientação da população para agir antes da tragédia

Débora Meira
Publicado em 28/07/2026 às 08:44
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O aumento de eventos climáticos extremos e grandes ocorrências de emergência tem reforçado um alerta do Corpo de Bombeiros: a população ainda precisa avançar na cultura de prevenção. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o tenente-coronel BM Josias Soares de Freitas Júnior, comandante do 8º Batalhão de Bombeiros Militar de Uberaba, afirmou que muitas pessoas ainda demoram a agir diante de situações de risco por falta de preparo ou desconhecimento sobre como proceder. 

Segundo o comandante, em muitos casos, a primeira reação da população é observar a situação antes de tomar uma atitude, o que pode aumentar a exposição ao perigo. “Hoje a cultura brasileira, eu me incluo nessa cultura também, é complicada. O brasileiro vai pegar o telefone, vai responder um WhatsApp, vai tirar uma foto, vai filmar, vai esperar para ver se vai confirmar mesmo”, afirma. 

Para o tenente-coronel, esse comportamento representa um desafio durante ocorrências como enchentes, incêndios, deslizamentos ou outros desastres. Ele explica que a prevenção precisa fazer parte da rotina das pessoas, assim como ocorre em países que convivem historicamente com grandes eventos naturais. “Precisa ter prevenção. Então sai correndo, atropelando uns aos outros. É preciso preparar para que isso tenha um menor impacto quando acontecer o desastre”, destaca. 

O comandante do 8º Batalhão cita o Japão como exemplo de país que investe na preparação da população desde a infância. Segundo ele, treinamentos frequentes fazem com que crianças saibam automaticamente como agir diante de alertas. “Hoje soa um alarme no Japão, crianças de seis, sete, oito anos de idade levantam sem comando nenhum, fazem uma fila, colocam a mãozinha no outro coleguinha e deslocam para o ponto de encontro de maneira automática”, explica. 

De acordo com Josias, além da orientação da população, é necessário que órgãos públicos e comunidades identifiquem previamente áreas de risco para reduzir os impactos de possíveis tragédias. “É identificar e reconhecer os locais vulneráveis. É possível mapear esses locais, fazer manutenção ou preparar para retirar as pessoas antes que aconteça alguma coisa”, afirma. 

O comandante, que recentemente participou de uma missão internacional de busca e salvamento após terremotos na Venezuela, também relembrou outras grandes ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, como o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019. 

Segundo o tenente-coronel, o treinamento prévio da população poderia ter contribuído para reduzir o número de vítimas em situações como aquela. “Se todos tivessem o mesmo treinamento, a mesma cultura, o número de vítimas poderia ter sido muito menor”, disse. 

Para Josias, atitudes simples, como respeitar alertas, conhecer rotas de fuga e evitar comportamentos de risco, podem fazer diferença durante uma emergência. “É igual usar o cinto de segurança. Não foi inventado de graça. Todas as sinalizações e treinamentos nesses locais de risco são necessários”, completa.

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