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Entenda por que Uberaba virou alvo de quadrilhas interestaduais

Uberaba fica em região que reúne série de características que atraem organizações criminosas

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01/07/2019 - 00:00:00. Última atualização: 01/07/2019 - 13:48:39.

Jairo Chagas

Grupos do interior paulista sitiaram Uberaba nesta quinta-feira (27) com armas de guerra, deixando três feridos e fazendo sete reféns durante a fuga. Durante o dia, 10 foram presos dos cerca de ladrões 25 participantes. Estes criminosos são atraídos para o Triângulo Mineiro por uma série de fatores estruturais destacados pela polícia.

Presos, alguns de seus integrantes podem inclusive ser transferidos para presídios federais, devido a suas ligações com lideranças da facção criminosa que controla os presídios de São Paulo e que tem influência na criminalidade de outros estados.

Para as autoridades que investigam os crimes entre estados e os bandos do chamado Novo Cangaço, como ficou conhecida a modalidade, a proximidade com as divisas de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, aliada a uma área rural cortada por uma intrincada malha de caminhos vicinais, rodovias em bom estado e muita riqueza disponível tornaram a região um tesouro que criminosos tentam roubar.

Municípios ricos, como Uberlândia, de 683 mil habitantes, Uberaba (330 mil), Araguari (117 mil), Ituiutaba (104 mil) e Frutal (59 mil), somam 1,3 milhão de cidadãos, praticamente a mesma população de Guarulhos, a segunda maior cidade paulista. Além disso, a região concentra o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do estado, com 12% das riquezas mineiras em um território com apenas 35 municípios, a terceira menor concentração de Minas.

Entre os que conseguiram escapar, acredita-se que pelo menos uma parte possa ter usado uma pista de aviação particular das imediações, o que demonstra não só o nível de organização do bando como a infraestrutura que a região – marcada por grandes propriedades rurais, plantações e vastas áreas planas – proporciona às quadrilhas.

Essas organizações criminosas encontram na geografia e na divisão política do Triângulo terreno propício às suas táticas de ofensiva e retirada. Contribuem para esses movimentos fatores como a distância média das cinco maiores cidades do Triângulo com as divisas de outros estados – onde a polícia, o sistema prisional e a Justiça têm outra jurisdição – que é de apenas 53 minutos.

Uberaba já sofreu dois ataques em menos de dois anos. No primeiro, em novembro de 2017, uma empresa de valores foi arrombada, dominada e teve milhões de reais levados de seus cofres. Naquela oportunidade, a reação da polícia não foi páreo para a ação dos bandidos, que conseguiram escapar.

Em Frutal, em novembro do ano passado, 15 criminosos fortemente armados também atacaram três bancos e levaram grande quantidade de dinheiro. Na troca de tiros com policiais, dois ladrões morreram. Uma comerciante de 42 anos que teve o carro roubado para a fuga também foi baleada e morreu.

Para o chefe da 5º Delegacia Regional de Polícia Civil de Uberaba, delegado Francisco Eduardo Gouvêa Motta, essas características profissionais ficaram claras entre os 10 presos em Uberaba. “São criminosos escolados. Não deixam informações vazarem em seus depoimentos com facilidade. Não dão pistas sobre quem são seus comparsas. Antes de chegarem à delegacia para depor, já havia mais de um advogado esperando para acompanhar o depoimento”, conta o delegado.

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