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Governo vai financiar folha de pequenas e médias empresas; quem receber não poderá demitir

O dinheiro será depositado diretamente na conta do trabalhador

27/03/2020 - 12:19:53.

Foto: Marcos Oliveira / Marcos Oliveira/Agência Senado

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou a criação de uma linha de crédito para pequenas e médias empresas para a quitação de folhas de pagamento. O valor será emprestado pelos bancos. Contudo, o financiamento foi articulado pelo governo federal. O anúncio foi feito no fim desta manhã (27) e contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro. A medida será válida para empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões.

A linha de crédito totalizará R$ 40 bilhões, durante dois meses. Parte do dinheiro será subsidiada e garantida pelo Tesouro Nacional, uma demanda dos bancos privados para criarem essa linha. A taxa de juros será de 3,75% ao ano e haverá uma carência de seis meses. O prazo para o pagamento é de 36 meses.

A empresa que aderir ao financiamento não poderá demitir empregados. “O dinheiro vai direto para as folhas de pagamento, então a empresa fecha o contrato com o banco, mas o dinheiro vai cair direto no CPF do funcionário. A empresa fica só com a dívida”, revelou Campos Neto.

O valor será limitado a dois salários mínimos. A operação será feita pelo BNDES. “Essa operação conta com quatro participantes. O Tesouro, o BNDES, os bancos privados e o BC. O Tesouro aplica o subsídio e fica com as perdas e ganhos da operação. O BNDES opera os recursos do Tesouro, que vai passar para os bancos privados. Os bancos privados vão colocar 15% do seu bolso. Quem opera é o banco privado”, explicou o presidente do banco de fomento, Gustavo Montezano.

Roberto Campos Neto explicou, ainda, que será preciso aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para permitir ao Banco Central emprestar direto às empresas.

A medida foi tomada ante os relatos de dificuldades enfrentadas por vários pequenos empresários em obter empréstimos junto aos bancos nos últimos dias, mesmo após o BC ter liberado recursos de compulsórios, que são depósitos que as instituições financeiras são obrigadas a manter junto à autoridade monetária. Ou seja, mesmo com mais recursos em caixa, bancos não estavam liberando linhas de crédito para as empresas.

*Com informações de O Globo

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