
(Foto/Divulgação)
Um grupo de 63 trabalhadores foi resgatado em situação análoga à escravidão em três fazendas de café localizadas nos municípios de Santana do Manhuaçu e Matipó, na Zona da Mata de Minas Gerais.
A operação foi realizada por fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, que identificaram uma série de irregularidades nas propriedades rurais. Os trabalhadores não tinham registro formal de contrato, eram submetidos a jornadas extensas, sem descanso adequado, e enfrentavam condições precárias de alimentação e alojamento.
Segundo as equipes de fiscalização, também foram constatadas a ausência de água potável, falta de equipamentos de proteção individual e cobrança por alimentação e transporte — prática que caracteriza servidão por dívida.
Nos locais, os alojamentos apresentavam condições insalubres, com colchões no chão e ausência de itens básicos de higiene. Alguns trabalhadores relataram ainda ter sido recrutados por intermediários conhecidos como “gatos”, que atuam no aliciamento de mão de obra em regiões vulneráveis.
Entre os resgatados, havia trabalhadores de diferentes estados do país, incluindo casos de deslocamento interestadual. Em uma das propriedades, um adolescente também foi identificado durante a operação.
Após o resgate, os empregadores foram autuados e deverão arcar com verbas trabalhistas e indenizações. Os trabalhadores foram encaminhados para assistência social e terão direito a benefícios previstos em lei, como seguro-desemprego.
As propriedades podem ser incluídas na lista oficial de empregadores flagrados em condições de trabalho análogo à escravidão, conhecida como “lista suja”.