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Data center de R$ 6 bi em Uberlândia mira terreno ligado ao caso Banco Master, diz reportagem

Área foi arrendada por R$ 1 mil mensais e pertence a fundo administrado por empresas investigadas, aponta reportagem do Intercept

Publicado em 14/07/2026 às 10:35
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(Foto/Reprodução Google Maps)

O terreno onde está previsto o investimento de R$ 6 bilhões para a construção de um data center voltado à Inteligência Artificial (IA) em Uberlândia pertence a um fundo administrado por empresas investigadas no escândalo do Banco Master. A informação é de reportagem publicada nesta segunda-feira (13) pelo portal Intercept Brasil, que também aponta que a área foi arrendada à empresa responsável pelo projeto por R$ 1 mil mensais durante 15 anos. 

Segundo a publicação, a área de 960 mil metros quadrados pertence ao Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri, administrado até meados de 2025 pela Reag Trust e, desde então, pela WNT Capital. As duas gestoras são alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas ao caso Banco Master. De acordo com o Intercept Brasil, as apurações investigam um suposto esquema de fraudes contábeis, com reavaliação artificial de ativos para inflar o patrimônio de fundos ligados às empresas e sustentar a imagem financeira da instituição. 

A reportagem informa ainda que o contrato de arrendamento firmado entre o Fundo Bacuri e a RT-One prevê aluguel de R$ 1 mil por mês pelo prazo de 15 anos para uma área de 96 hectares. O documento integra um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF), aberto para acompanhar as medidas ambientais relacionadas à implantação do empreendimento. O Intercept Brasil também afirma que a RT-One possui pouca experiência comprovada na construção de data centers, apesar de anunciar o projeto como o maior parque de Inteligência Artificial da América Latina. 

Os novos questionamentos se somam às discussões já realizadas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). No início deste mês, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável promoveu audiência pública para debater os impactos ambientais do empreendimento e a necessidade de regulamentação específica para data centers. Nem a RT-One nem a Prefeitura de Uberlândia participaram da reunião. 

Durante a audiência, parlamentares, representantes do Governo de Minas e especialistas defenderam maior transparência sobre o projeto e alertaram para o elevado consumo de água e energia elétrica exigido por esse tipo de instalação. A vereadora Amanda Gondim informou que acionou o Ministério Público Federal após questionamentos sobre o acesso às informações do empreendimento e afirmou que documentos do inquérito apontam divergências nas estimativas de consumo hídrico. Já o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) informou que ainda não há pedido de outorga para uso de água, mas alertou que a região já apresenta elevada demanda pelos recursos hídricos. 

O projeto foi anunciado oficialmente em 8 de julho de 2025 pela RT-One e pela Prefeitura de Uberlândia. Na ocasião, a empresa informou que pretende investir R$ 6 bilhões na construção do centro de processamento de dados, com a promessa de geração de empregos e utilização de energia proveniente de fontes sustentáveis.

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