ATENÇÃO

Contrabando de canetas emagrecedoras dispara na fronteira com o Paraguai e preocupa autoridades

Apreensões de medicamentos à base de tirzepatida cresceram mais de 860% em 2026, segundo dados da Receita Federal

Publicado em 13/06/2026 às 12:06
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As canetas emagrecedoras se tornaram um dos principais produtos do contrabando na fronteira entre Brasil e Paraguai. O crescimento acelerado das apreensões tem mobilizado órgãos de fiscalização, que alertam para os riscos à saúde causados pela entrada irregular de medicamentos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo dados da Receita Federal citados pela Folhapress, foram apreendidas 71.860 unidades de canetas e ampolas emagrecedoras apenas em 2026. O número representa um aumento de 860,8% em comparação ao período entre maio e dezembro de 2025, quando 7.479 unidades foram recolhidas.

Grande parte dos produtos é encontrada na região de Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com Ciudad del Este, no Paraguai. Entre os medicamentos comercializados estão produtos à base de tirzepatida, substância utilizada no tratamento de diabetes e obesidade, incluindo versões fabricadas e vendidas no país vizinho.

O avanço desse mercado ilegal acompanha uma transformação histórica dos itens mais procurados por contrabandistas. Nas décadas de 1980 e 1990, eletrônicos, videocassetes, aparelhos de som, videogames e computadores lideravam as compras na fronteira. Atualmente, medicamentos de alto valor comercial passaram a ocupar espaço de destaque nesse cenário.

Risco à saúde

Autoridades alertam que os medicamentos apreendidos não possuem autorização para comercialização no Brasil e podem representar riscos aos consumidores.

Além da origem desconhecida de parte dos produtos, há preocupação com as condições de fabricação, armazenamento e transporte. Outro ponto destacado pelos órgãos de fiscalização é a possibilidade de circulação de versões falsificadas.

A própria Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) já emitiu alertas sobre medicamentos falsificados comercializados na região de fronteira.

Segundo Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o contrabando gera prejuízos para consumidores, empresas e para a arrecadação pública.

Ação judicial busca flexibilização

Paralelamente ao aumento das apreensões, uma ação coletiva tenta autorizar a importação para uso pessoal de determinados medicamentos vendidos legalmente no Paraguai por pacientes que possuam prescrição médica.

O processo envolve produtos como TG, Lipoless, Tirzedral, Tirzec, Lipoland, Gluconex e Slimex, que, segundo os autores da ação, possuem registro sanitário no país vizinho.

Destino dos medicamentos apreendidos

De acordo com a Receita Federal, todas as canetas e ampolas apreendidas são destruídas. Os produtos permanecem armazenados em um galpão em Foz do Iguaçu até serem encaminhados para incineração.

Segundo o auditor fiscal Osvaldo Toshio Yamashita, responsável pelo setor de destruição de mercadorias apreendidas, os medicamentos são queimados em fornos com temperatura superior a mil graus.

A medida busca impedir que produtos de origem e composição desconhecidas retornem ao mercado e sejam consumidos pela população.

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