Uberaba possui atualmente um déficit habitacional de 10.309 moradias, segundo diagnóstico elaborado pela Companhia Habitacional do Vale do Rio Grande (Cohagra) em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) (https://jmonline.com.br/cidade/estudo-financiado-pelo-mp-vai-detalhar-o-deficit-habitacional-de-uberaba-1.519095). O levantamento utiliza a metodologia da Fundação João Pinheiro, referência nacional em estudos sobre o tema, e considera diferentes situações de vulnerabilidade, além da ausência de uma casa própria. Os dados foram detalhados pela presidente da Cohagra, Regiane Isidoro, em entrevista ao JM News, da Rádio JM.
O chamado déficit quantitativo reúne situações em que as famílias precisam de uma nova unidade habitacional. Entre os principais fatores identificados está o comprometimento excessivo da renda com aluguel. O diagnóstico aponta que 5.229 famílias estão nessa condição. “São aquelas pessoas que pagam aluguel alto e que, muitas vezes, acabam comprometendo uma parcela muito grande da renda familiar”, explica Regiane.
O levantamento também identificou 3.016 famílias em situação de coabitação familiar, quando mais de um núcleo familiar divide o mesmo imóvel, e outras 1.940 em situação de adensamento excessivo, quando há um número elevado de moradores em espaços reduzidos.
Segundo a presidente da Cohagra, o estudo considera ainda casos de domicílios improvisados e problemas graves de estrutura. Foram identificados 77 imóveis nessa situação e outros 47 com precariedade construtiva considerada grave. “O diagnóstico leva em consideração a coabitação familiar, o ônus excessivo de aluguel, famílias coabitando, domicílios improvisados e a precariedade construtiva”, detalha.
Além do levantamento sobre o número de moradias necessárias, o estudo também buscou traçar o perfil das famílias afetadas, considerando aspectos como renda, composição familiar e condições atuais de habitação.
Atualmente, a Cohagra possui cerca de 5 mil pessoas inscritas no cadastro habitacional. O número, porém, não representa toda a demanda apontada pelo diagnóstico, segundo Regiane. “Nós temos hoje na Cohagra 5 mil inscritos, então ainda temos uma população que ainda não conhece, que não se inscreveu”, pontua.
A companhia pretende reformular o cadastro habitacional para ampliar o alcance das informações e incluir também famílias que podem se enquadrar em outras faixas de financiamento habitacional. “Nós vamos lançar um novo cadastro habitacional que possa abrigar não só a faixa 1, mas também a faixa 2, para que ele seja mais moderno e consiga atender melhor a população”, explica.
O diagnóstico também apontou 243 famílias em situação de risco, conforme levantamento realizado pela Defesa Civil, envolvendo casos relacionados a problemas estruturais e condições do terreno.
Para a presidente da Cohagra, os dados devem servir como base para orientar políticas públicas e direcionar ações habitacionais no município. “Quando a gente conhece o problema, consegue pensar em políticas públicas mais estruturadas e direcionadas para quem realmente precisa”, ressalta.
O novo levantamento atualiza um cenário que, até então, era baseado em estimativas anteriores. Em 2023, a própria Cohagra trabalhava com um déficit de aproximadamente 4.600 famílias em Uberaba, sendo cerca de 3 mil enquadradas na faixa 1 do programa habitacional federal. Com a nova metodologia e a análise mais ampla das condições de moradia, o número identificado agora é superior.