BIOCOMBUSTÍVEL

Anderson Adauto diz que ANP avança no Triângulo, mas falta destravar gasoduto

Segundo o ex-ministro, regras aprovadas pela ANP representam avanço, mas a regulamentação do escoamento e a implantação do gasoduto seguem como entraves ao desenvolvimento regional

Joanna Prata
Publicado em 29/06/2026 às 17:38
Compartilhar

A regulamentação aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que estabelece regras para o compartilhamento de infraestruturas essenciais do setor de gás natural, representa um avanço para a abertura do mercado brasileiro e pode favorecer projetos estratégicos para o Triângulo Mineiro. A avaliação é do ex-prefeito de Uberaba e ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto, em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM.

Segundo ele, a medida reforça a segurança jurídica necessária para ampliar a concorrência e estimular investimentos em novas ligações de transporte de gás, como o gasoduto previsto para atender Uberaba. "O Brasil está procurando fazer com essas regulações o que o restante do mundo já faz: permitir o compartilhamento da infraestrutura já existente, em vez de construir outra paralela", afirmou.

Anderson avalia que a regulamentação aprovada resolve parte importante da abertura do mercado, mas observa que ainda falta disciplinar o compartilhamento dos gasodutos de escoamento e das unidades de processamento de gás, que encontra resistência na Petrobrás. Segundo ele, hoje a estatal define os valores cobrados pelo uso, e a atuação do mercado busca justamente mudar as regrar para ter acesso a todas as estruturas e reduzir o preço do gás.

Na avaliação do ex-ministro, um mercado mais aberto e transparente tende a ampliar a concorrência, reduzir o preço do gás natural e tornar o gasoduto para Uberaba mais viável, o que torna a cidade mais competitiva na atração de indústrias. "Com regras claras, o preço do gás cai e isso ajuda a viabilizar novos empreendimentos", disse.

Apesar do avanço regulatório, Anderson ressalta que Uberaba continua dependendo da implantação do gasoduto de transporte para integrar a região à malha nacional de gás natural. O projeto em estudo prevê a ligação entre o interior paulista e o Triângulo Mineiro para abastecer grandes consumidores industriais.

Sobre o projeto de produção de biometano, previsto para a região, Anderson afirma que a iniciativa representa um passo importante para diversificar a matriz energética, mas não elimina a necessidade do gasoduto. Segundo ele, embora o biometano e o gás natural possam utilizar a mesma infraestrutura, a produção do combustível renovável ainda não atende à demanda em larga escala da indústria.

"Está provado que o biometano tem um mercado muito forte, principalmente na substituição do diesel no transporte. Mas o gasoduto continua sendo fundamental para atrair grandes investimentos e ampliar a competitividade da indústria de Uberaba", concluiu.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por