O planejador financeiro independente Vinicius Costa orienta antecipar gastos com férias, presentes, rematrículas, IPTU e IPVA para evitar novas dívidas
A recomendação é antecipar o planejamento para despesas previsíveis, como férias escolares, presentes de fim de ano, rematrículas, IPTU e IPVA, reduzindo o risco de recorrer ao crédito e ampliar o endividamento (Foto/Reprodução)
Após o aumento da inadimplência e da pressão do custo de vida sobre as famílias de Uberaba, especialistas em finanças defendem que a metade do ano é o momento ideal para começar a organizar o orçamento dos próximos meses. A recomendação é antecipar o planejamento para despesas previsíveis, como férias escolares, presentes de fim de ano, rematrículas, IPTU e IPVA, reduzindo o risco de recorrer ao crédito e ampliar o endividamento.
Segundo o planejador financeiro independente Vinicius Costa, um dos principais fatores que levam ao desequilíbrio das contas é justamente deixar essas despesas para a última hora. Embora sejam gastos que se repetem todos os anos, muitas famílias ainda tratam esses compromissos como se fossem imprevistos. "O grande erro é não planejar as despesas sazonais. Ninguém gosta delas, mas sabemos que vão chegar. Sem ao menos uma estimativa do que será preciso pagar, a pessoa fica exposta ao risco", afirma.
O especialista explica que o período de fim de ano reúne condições que favorecem o aumento dos gastos. Além da concentração de despesas, como férias e Natal, muitas pessoas passam a contar com recursos extras, como 13º salário, férias e bonificações, criando uma falsa sensação de tranquilidade financeira. "Esse dinheiro gera um entusiasmo muito grande e dá a impressão de que será suficiente para cobrir tudo o que vier pela frente. Quase sempre essa conta não fecha", alerta.
Para quem ainda não começou a se organizar, Vinicius afirma que ainda há tempo de reduzir o impacto financeiro dos próximos meses. A orientação é levantar quanto foi gasto no ano anterior com lazer, presentes e viagens, além de incluir no planejamento despesas previstas para o início do próximo ano, como material escolar, rematrículas, IPTU e IPVA. "O primeiro passo é olhar para trás e fazer um levantamento simples do que foi gasto no ano anterior. Isso ajuda a construir uma previsão muito mais próxima da realidade", orienta.
O planejador também recomenda acompanhar as finanças ao longo de todo o ano, e não apenas quando surgem dificuldades. Segundo ele, revisar receitas e despesas mensalmente permite identificar excessos antes que eles comprometam o orçamento. "É preciso encarar os números pelo menos uma vez por mês. Não para brigar com eles, mas para saber se os gastos daquele período ultrapassaram o dinheiro que entrou", explica.
Outro ponto de atenção é o uso do parcelamento. Embora reconheça que o crédito seja importante para muitas famílias, Vinicius ressalta que a facilidade das prestações pode esconder o impacto real sobre a renda dos meses seguintes. "O parcelamento traz conforto, mas também é uma porta de entrada para o endividamento quando não existe um limite bem definido", afirma.
Além do planejamento, o especialista defende a formação de uma reserva financeira, ainda que pequena. Segundo ele, guardar valores modestos regularmente pode evitar a contratação de empréstimos em situações inesperadas. "É melhor ter R$ 50 ou R$ 80 guardados porque foi o que deu para economizar do que recorrer ao cheque especial quando surgir um imprevisto", destaca.
Os alertas ganham relevância em um momento de maior pressão sobre o orçamento das famílias. Levantamento da Serasa Experian mostrou que Uberaba reúne 153,8 mil consumidores inadimplentes e mais de R$ 1,25 bilhão em dívidas ativas, enquanto análise publicada pelo Jornal da Manhã apontou que inflação e endividamento continuam reduzindo o poder de compra da população. Nesse cenário, segundo Vinicius, organizar as finanças com antecedência pode ser uma forma de atravessar os próximos meses com menor risco de ampliar as dívidas.