O mundo acompanhou, recentemente, uma tragédia com o naufrágio do navio Costa Concórdia. Um gigante de mais de sessenta andares foi a pique, graças às manobras inconsequentes e não programadas do comandante da nave, Capitão Francesco Schettino. Uma tragédia que deixou mortos e feridos, face ao risco desnecessário promovido pelo Capitão que quis agradar “gregos e troianos”.
No entanto, o que gostaria de ratificar nos papiros é a atitude do Capitão Gregorio De Falco, da Guarda Costeira, que determinou que o comandante da nave, Francesco Schettino, retornasse ao Costa Concórdia e fosse, verdadeiramente, o Comandante. Suas palavras ecoaram na internet e, graças a DEUS, promoveram grande movimentação em favor da ética, de quem assume responsabilidades, de quem não teme enfrentar desafios, sobretudo, de assumi-los. QUE BOM! Vada a bordo Schettino! Esta frase ecoará por um longo tempo...
As atitudes do Capitão Gregorio De Falco ficaram melhores quando, sob os holofotes anunciados, ele, às vésperas de se tornar o maior astro do Século XXI, conclamado pela imprensa mundial, disse que não aceitaria qualquer entrevista, pois havia feito o papel dele, nada mais! IMPRESSIONANTE! De Falco mostrou que ética não se assa em qualquer forno. Manteve sua postura ilibada. Talvez, seu maior tesouro. Parabéns, De Falco! Precisamos de atitudes como as suas para que o mundo atinja parâmetros de evolução moral.
Enfim, caros leitores, na verdade gostaria de fazer um profundo comparativo à atitude de Schettino. Em vez de promovermos o julgamento sórdido que corrói nossa alma e nos leva ao apontamento de dedos todos os dias, façamos algumas considerações acerca do abandono de “naus” da vida.
Será que nós também não estamos abandonando algumas “embarcações” nas nossas vidas, das quais temos grandes responsabilidades? Será que não estamos replicando a atitude de Schettino todos os dias? Vejamos...
A nau da participação, por exemplo. Será que não estamos recusando a participar de reuniões condominiais, das associações de bairro, dos conselhos de segurança, de paz, ou de outros que nos fazem movimentar as engrenagens de nossa cidade? Quando fazemos isto, estamos agindo covardemente. Preferimos fazer apontamentos sem, contudo, participarmos do processo. E quando o navio afunda evidenciamos culpados num verdadeiro tribunal de inquisição. A sociedade que participa e se faz ativa, não dá espaços para ervas daninhas.
E a nau da educação? Nossos filhos estão sendo criados pelo mundo. Estão à mercê de nossas conquistas pessoais, que não os colocam na agenda semanal. Vivem de sobras e, muitas delas, compradas pelo dinheiro. Acreditamos que pagando suas irresponsabilidades estaremos preenchendo lacunas de abandono. LEDO ENGANO! Neste caso, estamos abandonando a nau da educação deles. Estamos criando seres totalmente individualistas, ambiciosos e despreocupados com o semelhante. Vamos culpando todos, ensinando-os a levar vantagem em tudo. O que construímos? Adultos que preconizam valores materiais sobre os morais, que são capazes de atropelar o semelhante por um lugar privilegiado na fila de entrada da “balada”. São responsáveis? Em parte, pois nós, pais ausentes, abandonamos a nau da educação.
E a nau da política? Vejo pessoas falarem que odeiam a política. Devem, no mínimo, confundir política com partidarismo. Política é importante para todos! Nenhuma sociedade vive sem fazer política. É o pensamento crítico acerca das coisas. É promover o conflito, mas, sem chegar ao confronto. Já o partidarismo, onde se permite a troca contínua de legendas, um verdadeiro absurdo. Quem pertence a um partido deveria, no mínimo, ser leal àquilo que o partido define como objetivo. Infelizmente, isto não acontece. Mas, voltando à “vaca fria”, nossa sociedade precisa participar das discussões. Precisa enfrentar os fóruns de debate, para que dentro do processo heterogêneo possamos construir verdades mais consistentes.
E assim, caros amigos leitores, façam a seguinte reflexã “Que nau estou precisando retomar em minha vida”? Talvez haja tempo de fazermos a diferença.