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Vacina inédita criada no Brasil pode revolucionar tratamento de câncer raro em crianças

Pesquisadores do Paraná desenvolveram uma vacina terapêutica contra um dos tumores infantis mais agressivos; testes em animais começam em setembro

Publicado em 27/07/2026 às 08:40
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Uma vacina experimental desenvolvida por pesquisadores do Paraná pode representar um importante avanço no tratamento de um câncer raro e agressivo que atinge crianças. A tecnologia, criada por cientistas do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP), em Curitiba, mostrou resultados promissores em laboratório contra o tumor do córtex da adrenal e agora seguirá para testes em animais.

Diferentemente das vacinas preventivas, essa tecnologia funciona como uma terapia celular aplicada após o diagnóstico da doença. O tratamento é produzido com células do próprio sistema imunológico do paciente, que são preparadas para reconhecer e atacar as células cancerígenas, fortalecendo a resposta natural do organismo.

Nos testes realizados em laboratório, a vacina conseguiu combater as células do tumor. A expectativa dos pesquisadores é iniciar os experimentos em camundongos a partir da segunda quinzena de setembro.

O projeto é liderado pelo médico Bonald Cavalcante de Figueiredo, diretor do Biobanco do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, ligado ao Hospital Pequeno Príncipe.

O tumor do córtex da adrenal é um tipo raro de câncer que se desenvolve na camada externa das glândulas suprarrenais. Apesar de incomum, é considerado um dos tumores infantis mais agressivos. Quando descoberto precocemente, as chances de cura são elevadas, principalmente por meio de cirurgia. Porém, pacientes diagnosticados em estágio mais avançado nem sempre respondem à quimioterapia ou ao tratamento cirúrgico.

Segundo Figueiredo, é justamente para esses casos que a vacina pode representar uma nova esperança.

No Brasil, estudos identificaram uma incidência acima da média desse tipo de câncer em crianças do Paraná, devido à alta frequência de uma alteração genética chamada TP53 p.R337H. Mais de 90% dos casos registrados no estado estão associados a essa variante, o que faz do Hospital Pequeno Príncipe uma das principais referências nacionais no tratamento da doença.

As amostras armazenadas no biobanco da instituição são utilizadas para desenvolver a vacina.

A estratégia consiste em fundir células do tumor com células do sistema imunológico chamadas células dendríticas. Essa combinação permite que o organismo reconheça proteínas presentes nas células cancerígenas e estimule os linfócitos T — responsáveis pela memória imunológica — a identificar e destruir o câncer.

Segundo os pesquisadores, essa resposta imunológica pode continuar atuando mesmo após o primeiro contato com o tumor, aumentando as chances de controle da doença.

Após os testes em animais, a equipe pretende realizar análises genéticas e moleculares para entender melhor a resposta do organismo. Se os resultados continuarem positivos, o próximo passo será iniciar estudos clínicos em humanos.

Os cientistas acreditam que, caso a tecnologia se mostre eficaz, ela poderá abrir caminho para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas contra outros tipos de câncer.

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