SAÚDE

Luto infantil: como ajudar a criança a passar por esse momento?

Importante estar atento aos sinais do comportamento da criança, que podem indicar o quão pesada está sendo a dor do luto

Rafaella Massa
Publicado em 18/12/2021 às 15:01Atualizado em 19/12/2022 às 00:47
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A morte é um processo natural e, apesar de ser muito falado, pouco é ensinado sobre como lidar com a perda. Em um momento pós-pandêmico, em que cerca de 12 mil crianças brasileiras se tornaram órfãs, segundo a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, o tema luto precisa ser tratado com mais naturalidade, ou a previsão é de um futuro próximo em que crianças desenvolvam depressão.

O psicólogo Sérgio Marçal explica que adultos são referências para crianças, principalmente os que cuidam, e é através desse adulto que a criança descobre o mundo. “Desde a aquisição da linguagem, quando a gente começa a dar nome a objetos, a aprender que casa é casa e que carro é carro. Tudo que a gente vai construindo é um processo mediado por alguém, toda a construção cognitiva e de mundo que a criança faz”, explica Marçal.

Isso significa que, quando a perda acontece, é responsabilidade do adulto que cuida, ou que passa a cuidar, que instrua essa criança não só a compreender a falta que o ente querido vai fazer, mas também a saber que ela não está sozinha e não deixará de ser amada.

“O adulto que fica para cuidar dessa criança vai precisar, de forma muito sutil, claro que dependendo da idade, ajudar a criança a entender as coisas que fazem parte do mundo, inclusive a morte. A morte, para muitos, é uma experiência traumática por si, porque é algo, inclusive, de que a gente não costuma falar. Então, se a criança for muito pequena, até seis anos, a gente pode usar aquela linguagem simbólica, mesmo para um animal, porque a experiência é a mesma, resguardadas as proporções”, informa o psicólogo.

Sérgio ainda explica que é importante deixar claro para a criança que aquela pessoa não vai existir mais aqui, mas que o amor por ela não vai embora e que a criança em si não estará desamparada. “Nesses casos, a criança sente uma sensação de desamparo e solidão muito profunda, que ela não sabe nem dar esse nome. Ela só sente que abre um buraco nela. Ela sente uma dor que ela não sabe verbalizar. E aí a gente precisa ajudá-la a entender esse sentimento, mas, principalmente, que vai ter alguém pra cuidar dela”, afirma Marçal.

Ainda é importante estar atento aos sinais do comportamento da criança, que podem indicar o quão pesada a dor do luto está sendo, além de incentivar e ajudar essa criança a encontrar outros sentidos afetivos e de vida. “Apresentar novas possibilidades de mundo para que o mundo dessa criança não se esvazie e não fique só no oco, só na toca, na solidão, saudade e tristeza daquele que se foi. Para que ela entenda que, mesmo com a dor, o mundo vai trazer outras possibilidades de amor e de vida, de afeto e de vida. O afeto para a criança é muito importante”, finaliza.

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