Resgatar a autoestima, devolver o sorriso e minimizar problemas com a fala são alguns dos benefícios das cirurgias para correção
Resgatar a autoestima, devolver o sorriso e minimizar problemas com a fala são alguns dos benefícios das cirurgias para correção de fissura craniofacial em portadores de lábios leporinos. Também chamados de fissuras labiopalatais, é uma deformidade que acontece nos lábios e no céu da boca da criança. Uma abertura ocasionada pelo não fechamento da estrutura labial, afetando o nariz, o lábio, a cavidade oral, nasal e do ouvido. No Brasil, apesar de haver poucas pesquisas, sabe-se que para cada 1.000 nascimentos, duas crianças apresentam fissura lábio-palatal, sendo a mortalidade no primeiro ano de vida em torno de 30%. Atualmente, existem muitos adultos que sofrem com o drama da malformação dos lábios por não saberem que o problema pode ser corrigido. Quando nasce uma criança com a deformidade, a maioria dos pais quer fechar o lábio com cirurgia o mais rápido possível, já que o problema afeta a visibilidade do rosto infantil. Mas a ortodontista Maria Alice Nassif explica que o ideal é começar a recuperação funcional causada pela deformidade antes de fechar o lábio. “Quanto mais tarde melhor, mas o fechamento do lábio acontece geralmente a partir de 3 meses. No céu da boca, essa fissura é fechada por volta dos 18 meses, mas até esse momento a criança pode se adaptar para alimentar, para falar”, afirma. A reabilitação é feita em conjunto com a cirurgia, com atendimento multiprofissional. No entanto, é importante os pais ficarem atentos às crianças, caso apresentem dificuldades na alimentação, alterações na fala e voz hipernasal. Ajustar esses fatores é de responsabilidade do fonoaudiólogo. Em função de diversos desarranjos das vias aéreas, há a possibilidade de perda auditiva. Por isso, quanto mais cedo o tratamento com um otorrinolaringologista, menor o risco de se tornar permanente. Além disso, a falta do osso na maxila resulta numa irregularidade da posição dos dentes da arcada dentária. “Mas como o tratamento se inicia com a criança ainda bem jovem, não é recomendado o uso de enxertos na cavidade oral. Somente mais tarde, quando for possível fazer implantes de dentes, já que no local da fissura faltam dentes permanentes”, revela. Para a especialista, com a evolução das cirurgias e tratamentos, atualmente o resultado é completo, deixando marcas praticamente imperceptíveis. “Pois é possível ir fazendo correções e plásticas necessárias até que a criança seja totalmente reabilitada”, frisa Maria Alice.