Estudo apontou trecho urbano como prioritário, mas fiscalização ainda depende de mudança na legislação e homologação de equipamentos
A instalação de radares nas rodovias federais não ocorre de forma aleatória. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os equipamentos são posicionados, principalmente, em trechos com maior histórico de acidentes e características que elevam o risco de sinistros, como trevos, cruzamentos, pontes e travessias de pedestres. As informações foram detalhadas pelo chefe da Delegacia da PRF em Uberaba, inspetor Rocha Neto, em entrevista ao JM News, que também afirmou que a corporação participa do mapeamento desses pontos junto às concessionárias responsáveis pelas rodovias.
De acordo com o inspetor, a função do radar é reduzir a velocidade justamente nos locais onde há maior potencial para acidentes. "O radar reduz a velocidade naquele ponto crítico", afirma.
Segundo Rocha Neto, a PRF encaminha às concessionárias os trechos considerados prioritários para a instalação da fiscalização eletrônica, com base nos registros de acidentes e nas condições da via.
O inspetor lembrou que, durante o período em que diversos radares deixaram de autuar motoristas por causa da reavaliação dos equipamentos, foi observado aumento no número de acidentes nos locais afetados. Ainda assim, ele ressalta que os equipamentos, por si só, não resolvem o problema. "O motorista freia onde tem o radar e reacelera. Então, é atitude", destaca.
Para ele, a redução dos acidentes depende principalmente da mudança de comportamento dos condutores e do respeito aos limites de velocidade ao longo de todo o trajeto, e não apenas nos pontos fiscalizados.
Durante a entrevista, Rocha Neto também revelou que a PRF participou de estudos sobre a implantação da fiscalização por velocidade média, sistema que calcula a velocidade do veículo a partir do tempo gasto entre dois pontos da rodovia.
Segundo ele, o levantamento apontou viabilidade técnica para implantação da tecnologia, inclusive em um trecho da BR-050, no perímetro urbano de Uberaba.
No entanto, a medida ainda não pode ser colocada em prática porque o Código de Trânsito Brasileiro não prevê esse tipo de fiscalização e não existe, até o momento, equipamento homologado para realizar esse tipo de autuação. "O estudo mostrou que é viável e necessário. Agora dependemos da criação desse dispositivo na legislação e da homologação do equipamento", explica.
Entre os trechos considerados prioritários para fiscalização está o segmento entre os quilômetros 170 e 182 da BR-050, em Uberaba. Conforme o inspetor, o local reúne um dos maiores índices de acidentes de todo o trecho administrado entre Cristalina (GO) e Delta (MG).
Segundo ele, a concentração de ocorrências está relacionada ao intenso fluxo de veículos, aos acessos urbanos, às travessias de pedestres e às entradas de vias laterais existentes no perímetro urbano.
O chefe da delegacia também destacou que todos os radares passam por aferições periódicas para garantir a precisão das medições. Caso a calibração esteja vencida ou irregular, as autuações podem ser anuladas.
Para a PRF, embora a fiscalização eletrônica seja uma ferramenta importante para reduzir a velocidade em pontos estratégicos, a segurança nas rodovias depende principalmente da conduta dos motoristas. "Se colocarmos radar a cada quilômetro, o trânsito não flui. Nos demais trechos, depende da atitude do motorista", conclui.