Laudo aponta intoxicação compatível com agente tóxico, e Polícia Civil vai investigar a morte de Caramelo no Uberaba I
(Foto/Divulgação)
A morte de um cão comunitário no bairro Uberaba I será investigada pela Polícia Civil após laudo anatomopatológico apontar que o animal sofreu uma intoxicação compatível com a ingestão de agente tóxico. O Hospital Veterinário da Uniube (HVU) esclareceu que o exame não permite identificar qual substância foi utilizada, enquanto a Polícia Civil informou que analisará o laudo para dar início às investigações.
Conhecido como Caramelo, o animal foi encontrado morto na manhã de 19 de junho, na rua Professor Otaviano Esselim. Moradores do bairro suspeitam que ele tenha sido vítima de envenenamento e registraram boletim de ocorrência.
O laudo emitido pelo HVU constatou um quadro de gastrite aguda hemorrágica compatível com lesão causada por agente tóxico. Em nota encaminhada ao Jornal da Manhã, o hospital esclareceu que o exame não é capaz de identificar a substância responsável pela intoxicação. "A identificação do agente causador dependeria de exames toxicológicos específicos, que não fazem parte desse tipo de análise", informa a instituição.
Caramelo vivia há cerca de dois anos na região, ao lado de outro cão comunitário, conhecido como Pintado. Segundo moradores, os dois eram alimentados pelos vizinhos, acompanhavam frequentadores da praça e da igreja do bairro e eram considerados dóceis pela comunidade.
A denunciante afirma que a morte provocou preocupação entre os moradores, que temem novos casos de envenenamento. "Estamos muito tristes e indignados com a crueldade. O Pintado, que passava o tempo todo com o Caramelo, agora anda por aí sozinho. A comunidade está em alerta e teme que ele e outros animais corram o sério risco de serem envenenados também", relata.
O Hospital Veterinário também orienta que casos de suspeita de intoxicação exigem atendimento imediato. Conforme a instituição, sinais como salivação excessiva, vômitos, diarreia, tremores, convulsões e dificuldade respiratória podem surgir rapidamente, e o socorro precoce aumenta as chances de sobrevivência. "Não se deve oferecer leite, alimentos, medicamentos caseiros nem induzir o vômito sem orientação do médico-veterinário, pois essas medidas podem agravar o quadro", orienta o hospital.
A Polícia Civil informou ao Jornal da Manhã que iniciará a investigação a partir da análise do laudo de necropsia para apurar as circunstâncias da morte do animal.
“Não recolhemos animais”
Além do possível crime de maus-tratos, a denunciante relata dificuldades para conseguir o recolhimento do corpo. Ao Jornal da Manhã, ela revelou ter entrado em contato com a Superintendência de Bem-Estar Animal em busca de orientações, mas não obteve sucesso. Pelo WhatsApp, a pasta se restringiu a informar que não recolhe animais e que ela deveria levar o animal até o Hospital Veterinário da Uniube para necropsia.
No entanto, a Polícia Civil alerta que, em casos de suspeita de crime, a população não deve manipular, remover ou descartar o corpo do animal, pois isso pode comprometer a produção de provas e dificultar a investigação.
O caso ocorre cerca de um mês após o Jornal da Manhã noticiar um atendimento precário por parte da Superintendência ante a um possível caso de maus-tratos. Sem qualquer orientação ao denunciante, a pasta se restringiu a informar que “não recolhe animais”.
Na ocasião, a Prefeitura reconheceu o mau atendimento prestado e informou que a equipe passaria por treinamento. Agora, cerca de 30 dias depois, a mesma resposta é dada em outra circunstância a outra uberabense em busca de ajuda.
O Jornal da Manhã procurou a Superintendência de Bem-Estar Animal para esclarecer por que, segundo a denunciante, não houve orientação sobre qual órgão seria responsável pelo recolhimento do animal. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.