Novos kits em caminhonetes 4x4 levam água e mangueira a estradas rurais e lavouras, e caminhão florestal deve chegar em agosto
Com o início do período considerado mais crítico para queimadas, o Corpo de Bombeiros de Uberaba reforçou a preparação para o combate aos incêndios de vegetação no município. A corporação recebeu novos equipamentos para auxiliar nas ocorrências em áreas de difícil acesso e aguarda a chegada de um caminhão específico para esse tipo de atuação. As informações foram apresentadas pelo major Eudes Humberto de Souza Correa, subcomandante do 8º Batalhão de Bombeiros Militar (8º BBM), em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM.
Segundo o subcomandante, os novos kits foram destinados para caminhonetes 4x4 e permitem uma resposta mais rápida em locais como estradas rurais, pastagens e lavouras, onde o acesso pode ser mais limitado para veículos convencionais. “São kits que são colocados na caçamba de caminhonetes 4x4. Com ele a gente consegue levar 400 litros de água, dois bombeiros trabalhando ali com um carretel de mangueira. A gente consegue otimizar em muito a resposta aos incêndios de vegetação”, explica.
O equipamento deve ser utilizado principalmente no combate aos focos ainda no início, etapa considerada fundamental para impedir que as chamas avancem e atinjam grandes áreas. “O ideal é que no princípio dele seja contido, porque a tendência é que ele realmente perca o controle”, afirma o major.
Além dos kits, a corporação informou que deve receber, em agosto, um Autobomba Tanque Florestal (ABTF), veículo desenvolvido para o combate a incêndios em áreas de vegetação. O caminhão possui tração 4x4, maior altura em relação ao solo e capacidade superior de armazenamento de água em comparação aos veículos utilizados atualmente.
Apesar das chuvas registradas de forma inesperada em junho, o Corpo de Bombeiros alerta que o período seco ainda preocupa. De acordo com o major Eudes, julho costuma marcar o aumento dos incêndios em lotes vagos e o início da fase mais crítica, que pode se intensificar até setembro. “Julho é o mês que a gente tem o pico de incêndios em lotes vagos. Até então não tivemos, tivemos menos de um terço do que tivemos no ano passado. Mas julho ainda está começando”, destaca.
A previsão de um período mais seco, com temperaturas elevadas e possibilidade de ventos mais intensos, aumenta a preocupação da corporação. Segundo o major, o vento é um dos principais fatores que contribuem para a rápida propagação das chamas. “Não é só o tempo seco ou a falta de chuva. A questão do vento é o que traz realmente o agravamento, porque potencializa muito a severidade desses incêndios de vegetação”, explica.
A extensão territorial de Uberaba também é apontada como um fator que aumenta o desafio no combate às queimadas. Segundo o Corpo de Bombeiros, mais de 60% da área do município é ocupada por lavouras, além das regiões de pastagem.
Além dos impactos ambientais, os incêndios podem provocar prejuízos econômicos e problemas de saúde relacionados à fumaça. “Além do prejuízo econômico, tem o prejuízo ambiental, que envolve o sanitário, que traz os problemas respiratórios”, afirma Eudes.
A corporação informou ainda que tem realizado ações preventivas com empresas e produtores rurais, incluindo treinamentos para formação de brigadas de combate a incêndios de vegetação.
O Corpo de Bombeiros também reforça o alerta para a prática de queimar folhas, galhos e outros resíduos durante o período de estiagem. Segundo a corporação, pequenas fagulhas podem percorrer grandes distâncias dependendo das condições do ambiente. “Uma fagulha pode avançar por metros, metros, e no caso dos incêndios em canaviais existem casos até de quilômetros, de saltar de um lado para o outro”, alerta.
A orientação é evitar qualquer tipo de queima durante o período seco e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ao identificar focos de incêndio.