O grande Chico Buarque, renomado autor de letras estonteantes da música brasileira – músicas que foram importantes para a demarcação do regime de exceção – enfim, cedeu ao poder da barganha desmedida de Geni, casou-se com ela e rendeu-se aos maiores desvios daquela que mais representou o Brasil. Isto aconteceu quando Chico negou, com veemência, entrevista dada ao Escritor e biógrafo Paulo César Araújo.
Ao negar a entrevista, Chico demonstrou o que fatalmente irá acontecer na vida dos cidadãos no mundo das filmagens, tters, notas do Facebook, dentre outras formas de registros da atualidade. Foi desmascarado pelo biógrafo que, curiosamente, tinha fotos, filmagens, escritos, autógrafos etc. Se fosse em plena era do facebook teríamos Chico “curtindo” a foto do autor. Vai saber...
Chico desculpou-se... Bom, depois de todas as provas irrefutáveis da entrevista... Até eu que sou mais bobo...
Talvez, tenha feito pela construção de uma ideia modificada ao longo do tempo. Extremamente plausível, normal e indicada por lapso temporal. Desconstruímos pensamentos todo o tempo. Basta que conheçamos novos pontos de vista para que nossa maneira de pensar sofra modificações. E o que está em jogo no caso em tela é o dilema ético das biografias não autorizadas.
Bastava, no meu singelo ponto de vista, dizer da mudança de pensamento. Nada de aviltante. No entanto, reconheceu a entrevista, mas manteve dissonância acerca da manifestação sobre Roberto Carlos, Caetano e companhia.
Mas, antes de continuarmos com nossas argumentações, não podemos descredibilizar o trabalho do renomado cantor que, como ninguém, escreveu letras como “Construção”, uma das maiores pinturas existentes no cenário musical internacional.
Lamentável “equivoco” que não manchará sua contribuição para o país. Mas, que acende um dos maiores dilemas enfrentados na contemporaneidade, o processo ético nas relações humanas. Maquiavelicamente falando, será que os fins justificam os meios?
Sua negativa da entrevista, caso não houvesse prova irrefutável, poderia manchar o que fora prolatado pelo escritor e quiçá, gerar nova indenização milionária. Onde estão os compromissos com a verdade? Será que a relatividade do contexto nos aprisionará ao positivismo de desconfiança generalizada? Até quando nossas relações deverão fixar pautas de comprovação que não o empenho do fio do “bigode” (herança da convivência interiorana que levarei por muito tempo)?
Bom, o fato mais grave a trazermos a baila é a questão da biografia não autorizada. Como podemos viver sem tais documentos? Será que a censura de tal produção não nos levará a perdas irreparáveis de detalhes importantíssimos da história? Pois, mesmo que o biografado não autorizasse e viesse a óbito, com o start do modelo indicado pelos defensores da censura, os filhos e netos poderiam fazê-lo sequenciar na negativa de autorização. Logo, não poderíamos ouvir senão plumas e paetês do que vier a ser escrito de qualquer pessoa, ou seja, uma vida insossa e sem erros, o que redunda em utopias horrendas. O Ser humano detém erros e acertos. Não existe a figura perfeita crivada no filme Superman. Mas, devemos conhecer a verdade. Sem dúvida alguma.
Por outro lado, está a questão da exposição exacerbada e dicotômica em relação à verdade. Afinal, mesmo que a doutrina positivista da indenização por perdas e danos tente reparar o “irreparável”, pois o dito nunca deixa de corroer a história de quem sofreu calúnia ou difamação, não consegue desfazer o mal em si.
Agora, em plena era da informação em tempo real e a velocidade da luz, simples notas como estas ganham força e desbravam montanhas de nosso país e acabam por cruzar continentes em singelos cliques de “compartilhamento”.
A ressalva é que há muito a se trafegar no presente dilema que vem à tona em desfavor de milhares de reais que tentam
amordaçar quem se arrisca a dizer o que não é dito.
Jornalistas, escritores, ensaístas, autores, compositores e outros atores dos papiros devem pautar para que a força da escrita não seja mais pesada que a guilhotina da inquisição...
Flavio Jackson Ferreira Santiago
Capitão da Polícia Militar de Minas Gerais