JM Online

Jornal da Manhã 48 anos

Uberaba, 11 de abril de 2021 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

Colunas

Lídia Prata
Larissa Prata LARISSA PRATA 04/04/2021


Continua depois da publicidade


Uberabenses pelo mundo contam como está a pandemia em outros países

Feliz Páscoa!

Que época gostosa é a Páscoa! Não só pela doçura dos chocolates, nem apenas pela alegria compartilhada à mesa com a família. A Páscoa carrega um significado muito especial para os cristãos, que se alimentam de fé e renovação, com a certeza de que ainda há esperança para o mundo dos homens. Diante de tantas mortes, tantas pessoas doentes, tanta tristeza, a esperança é sentimento para os fortes. Para os resilientes. E acredite: ainda há muitos motivos para não perder a fé de que dias melhores estão chegando. Feliz Páscoa a todos!

Já que o Coelhinho da Páscoa está ditando o ritmo do domingo, corra lá na @tramadecoroficial, no Instagram, para ver as dicas fantásticas que Maisa Trajano trouxe para deixar a mesa mais bonita e festiva. De encher os olhos! A propósito, o Insta da Trama Decor tem muitas dicas para valorizar cada cantinho com a chamada decoração sensorial, sabe o que é isso? Ela estimula os cinco sentidos a partir da organização de objetos, deixando sua casa muito mais do que apenas um ambiente bonito, mas com conforto e alegria. Esse trio de macaquinhos, por exemplo, ficam superbacanas em locais onde há reunião de pessoas, como salas e bares em casa. Eu adoro! A Trama Decor fica na rua Doutor José Ferreira, 56; fone 3315-6529 (é também WhatsApp).

A coluna deste domingo está diferente. Com a ajuda da jornalista Joanna Prata, dona das melhores ideias e que alegra os dias desta colunista na redação do Jornal da Manhã, nesta semana alguns uberabenses deram relatos de como está a vida além do horizonte das terras tupiniquins.

Diretamente de Bali, na Indonésia, Renata Guedes conta que por lá os mais penalizados são os locais, que viviam do turismo na ilha. Eles vivenciaram momentos parecidos com o nosso aqui em Uberaba (tirando a parte do turismo, claro): diante do fechamento das atividades consideradas não essenciais, como as aulas e academias, as pessoas clamavam pelo retorno de forma particular. “E foi o que aconteceu. O fechamento só durou um mês, logo tudo voltou ao normal”, conta ela. “Um caso interessantíssimo é de uma região aqui que voltou a cultivar algas marinhas, chamadas de “seaweed farms”, pois antes viviam cheias de turistas, mas agora voltaram à sua atividade original/anterior”, relata. Tudo tem um lado bom, ‘tá vendo?

Renata Guedes

Quanto à vacinação, Renata conta que na Indonésia as regras são diferentes das adotadas aqui no Brasil. “As vacinas aqui começaram em janeiro e as pessoas seguem sendo vacinadas. A diferença é que decidiram começar pelos jovens, que estão na linha de frente e não podem ficar sem trabalhar”, explica ela. “No momento a única restrição é pro comércio, tudo tem que fechar às 9h da noite. Abril do ano passado fecharam até as praias! E ficavam fazendo rondas na rua pra quem não estava usando máscara... hoje em dia está mais tranquilo. Tivemos um surto da doença em janeiro de 2021, quase todo mundo ficou doente, muita gente mesmo. Março os números já caíram novamente. Até onde eu sei não houve auxílio do governo, mas muitos gringos se reuniram e ainda se reúnem pra arrecadação de fundo, distribuição de comida pros locais, a comunidade está se ajudando muito”, comenta.

Na Suíça, o especialista em comércio internacional Augusto Abate Curi vive no que chama de semilockdown desde o primeiro dia de janeiro. Por ser um país federalista, cada cantão (equivalente a estados no Brasil) determina suas próprias regras e, assim, uns estão em sistemas mais severos que os outros. Ele conta que por lá a situação está, em tese, controlada e, apesar da alta taxa de transmissão da doença, a ocupação hospitalar está relativamente tranquila e o número de mortes também não está alto. O país luta para manter a taxa de reprodução abaixo de 1, mas, mesmo em semilockdown, não estão conseguindo alcançar o objetivo.

Augusto Abate Curi

“Não querem arriscar a abrir muito cedo e vão esperar a vacinação aumentar o percentual. Por enquanto está muito devagar, acho até que os números da Suíça, percentualmente, estão piores que aí no Brasil. Eles compraram duas vacinas, a da Pfizer e da Moderna, então devido a problemas logísticos está bem devagar a vacinação aqui. A tendência é aumentar agora na primavera e no verão, mas ainda ninguém sabe quando que a vacinação vai começar mesmo para a população em geral. A minha opinião é que isso vai continuar semifechado até o número de vacinações aumentar consideravelmente. No caso mínimo, a próxima reunião do conselho federal vai ser no dia 15 de abril, se não me engano, para tentar mudar alguma coisa para o dia 1º de maio. De resto, até lá continua essa regulamentação. Dentro da Europa também está bem fechado. Você consegue cruzar as fronteiras, entre a Suíça e a França, por exemplo, mas tem que fazer quarentena, dependendo de onde você for, não pode ir, por exemplo, Paris está fechada. A situação está bem crítica e eu vejo os governos bem preocupados”, relata Augusto.

Também na Europa, a advogada Marília Conti Higa, mora em Oeiras, em Lisboa, Portugal, que passa atualmente pelo processo de desconfinamento. “O lockdown começou de forma muito dura em janeiro deste ano e agora vai abrandando depois que os casos diminuíram significativamente entre janeiro e fevereiro. A gente começa a dar os primeiros passos para o desconfinamento”. Nas terras do Marquês de Pombal, as pessoas que enfrentavam a severidade do fechamento total começam a ver as coisas mudarem pouco a pouco. “Com o começo do desconfinamento a gente começa a poder respirar de novo, começa a poder sair, frequentar praças, jardins novamente, claro que tudo sem aglomeração, mas já é possível respirar outro ar que não o de dentro de casa. As coisas começam a ficar um pouco menos pesadas”, comemora. Marília tem dois irmãos, sendo que uma está na Inglaterra atualmente e o outro permanece no Brasil, e ela conta que seu principal prejuízo é com relação às crianças da família.

Marília Conti Higa




Continua depois da publicidade


“No ponto de vista pessoal eu acho que o impacto foi um pouquinho maior. Primeiro porque já vamos aí a quase quatro meses sem conseguir ter contato com as pessoas. O contato é feito apenas virtualmente e isso acaba impactando um pouco a nossa estrutura psicológica, a gente vai ficando isolado, isolado e acaba às vezes tendo um sentimento de solidão mais agravado. Especialmente no meu caso eu vejo que eu tive que ficar muito longe da minha sobrinha, que é minha paixão, e não pude conhecer meu novo sobrinho. Não pude viajar para conhecê-lo. São coisas que o lockdown e essa impossibilidade de locomoção causam na gente, prejuízos que são trazidos”, conta ela. Profissionalmente, o maior impacto que Marília enfrentou foi com o trabalho de campo, que precisou ser revisto. Ela é pesquisadora e doutoranda da Universidade Nova de Lisboa. Por lá, a esperança também se resume às doses de vacinação para que tudo possa a voltar “ao normal”.

Por falar na Inglaterra, com mestrado e doutorado em Oncologia pelas universidades de Coimbra e Paris, Sarah Pagliaro atualmente é especialista em suporte científico na Abcam Global Science Company e mora em Cambridge, na Inglaterra. Ela conta que o Reino Unido enfrentou três lockdowns, mas o último foi essencial para o sucesso da vacinação por lá. O fechamento aconteceu antes do Natal para evitar que as pessoas, já bastante cansadas do confinamento, se aglomerassem para passar as festas de fim de ano em família. “O terceiro lockdown foi essencial para o sucesso da vacinação no Reino Unido. Era um risco muito grande não fazer um lockdown e perder todo o esforço que os cientistas fizeram para ter uma vacina”, conta ela, ponderando que pessoas cansadas têm uma tendência a não querer respeitar tanto as regras de confinamento. Qualquer semelhança não é mera coincidência, mas por lá deu certo e por aqui…

Sarinha ainda conta que o Reino Unido teve outra grande semelhança com o Brasil: no começo, o primeiro ministro Boris Johnson “menosprezou um pouco a pandemia. Ele dizia que não era nada grave, chegou a fazer vídeos visitando hospitais, pegando na mão de pacientes e dizendo que não tinha medo, que máscara não era preciso. Ele demorou um tempo até tomar consciência de quão grave seria a pandemia para a Europa. Quando ele ficou doente, precisou ser internado e quase morreu, ele mudou a forma como tratar a pandemia. Acho que ele sentiu na pele como a doença era grave”, opina.

Sarah Pagliaro

A grande diferença é que no Reino Unido as pessoas valorizam muito o sistema de saúde deles, chamado NHS. “A população do Reino Unido tem um respeito muito grande pelo sistema de saúde deles, que é o NHS, o sistema público de saúde, eles têm uma admiração muito grande pelo NHS. Houve toda uma conscientização por parte do governo e da população para não sobrecarregar o NHS, os médicos e as enfermeiras e as pessoas que trabalham nos hospitais já estão sobrecarregados, então não vamos piorar. Eles têm uma mania de colocar mensagens na janela e quase todas as casas têm mensagens para o NHS de gratidão a quem está ajudando na pandemia, não só às pessoas da saúde, mas entregadores, caixas de supermercados, policiais, quem limpa as ruas, por exemplo, as pessoas têm uma admiração muito grande por quem tem ajudado durante a pandemia”, comenta.

Sarah Pagliaro também conta uma atitude interessante tomada no Reino Unido. Entre um lockdown e outro, bares e restaurantes foram reabertos, mas as medidas tomadas eram muito levadas a sério tanto pelos frequentadores quanto pelos empresários. “Entre um lockdown e outro começaram a abrir pubs e restaurantes com QR codes para que, antes de entrar nesses estabelecimentos, era preciso registrar os seus dados pessoais e dentro dos bares tinha que ter uma distância entre as mesas, um sinal na mesa avisando que tinha sido limpa, sinalização no chão sobre como andar dentro do bar, por onde andar, tudo bem organizadinho”. #FicaDica

Detalhe, o Reino Unido também passa pelo processo de desconfinamento. “Começaram a liberar para encontrar outras pessoas, até seis pessoas, do lado de fora, em parques, para fazer um piquenique, não dentro de casa. No dia 12 de abril eles vão abrir o comércio novamente, se tudo correr bem”. Podia ser a gente, né?!

Quem também falou com a coluna foi Patrícia Morelli, que é gestora comercial do setor hoteleiro em Sydney, na Austrália. O país é um grande exemplo durante a pandemia e Paty revela o porquê. “Na Austrália nós tivemos a experiência de realmente ter um lockdown, mas foi uma experiência muito menor que a que outros países estão vivenciando. Isso se deu porque o país resolveu, como medida de prevenção, adotar uma postura muito restrita de que todos os viajantes, todas as pessoas voltando para a Austrália, retornando ao país deveriam entrar num processo de ficar em isolamento obrigatório de 14 dias dentro de um hotel. Então, com isso, o país conseguiu diminuir o número de pessoas infectadas, porque as pessoas que entravam no país, se estavam doentes, elas ficavam barradas nos hotéis, iam para os hospitais para serem tratadas, e só depois que elas estivessem realmente curadas que elas voltavam para a sociedade”, conta.

Paty Morelli

O lockdown por lá foi muito restrito. “O governo instaurou barreiras entre os estados, internamente, e só assim que conseguiu diminuir o número de casos por estado e foi isolando até praticamente zerar o número de casos de pessoas infectadas. Na questão de lockdown, quando teve o pico, entre março e abril do ano passado, o que ficou aberto foi só farmácias e supermercados e as pessoas tinham o direito de sair de casa para fazer exercício por uma hora e fazer as compras e depois voltar para casa”, explica Paty. E sabe o que o governo por lá fez?

“Houve muito apoio do governo a fazer as pessoas ficarem dentro de casa. Deram uma recompensa financeira para os negócios ficarem fechados e as pessoas ficarem em casa. Como se fosse um salário subsidiado pelo governo, uma porcentagem, e isso ajudou a manter as pessoas em casa. Agora que a sociedade está retornando ao trabalho é porque a gente ainda tem os viajantes retornando à Austrália isolados em hotéis. Essa foi a maior diferença que aconteceu aqui. Que não tem ninguém entrando na Austrália sem ser barrado, testado, isolado, então não transmite aos locais”, finaliza.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

Continua depois da publicidade

Leia mais



DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia