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Lídia Prata
Reginaldo Baleia Leite REGINALDO LEITE 07/04/2022



A volta da Austrália

O GP da Austrália estava ausente da categoria há duas temporadas. Para quem não se lembra, a etapa de 2020 foi cancelada há duas horas do primeiro treino. O pivô de tudo foi o fato de um integrante da McLaren ter testado positivo para o novo, na época, coronavírus.

Complicou. Paralelamente, outros doze funcionários da equipe, que conviveram com o colega contaminado, foram isolados. Eles, no entanto, apresentavam nenhum sintoma. O fato de a equipe McLaren ter anunciado a desistência de disputar a etapa um pouco antes da confirmação do cancelamento pela Fórmula 1 também influenciou muito na decisão conjunta das demais equipes e dirigentes.

Melhor. Esse circuito de Albert Park estreou na F1 em 1996 e praticamente não sofreu alterações até 2019, nem no asfalto. E já não era bem visto por pilotos e chefes de equipe. Anteriormente, o GP era em Adelaide. Para 2022 a pista sofreu boas atualizações, se tornando mais rápida e melhor para realizar ultrapassagens. Recebeu um asfalto novo e ainda um Pit Lane maior e melhor. E ainda vai contar com quatro zonas de DRS.

Novidades. Após duas etapas realizadas, vimos alguns aspectos bem diferentes em relação à temporada de 2021, sendo que o desempenho ruim da equipe Mercedes é a de maior relevância, já que nunca perderam na era híbrida que se iniciou em 2014.

Primeiro: A Haas e Alfa Romeo deixaram de ser habitués do final do grid. Ainda na pré temporada de 2021, a Haas avisou que não desenvolveria seu carro naquele ano e estaria focada apenas no carro de 2022. A Alfa Romeu trabalhou bem e até aqui é o único de 2022 que conseguiu correr com o peso mínimo das novas regras. Portanto, as duas equipes foram bem em seus projetos atuais. Mas, uma boa parte do sucesso delas se deve à nova unidade de potência (motor) da Ferrari, que, até aqui, se mostrou a de maior eficiência de 2022.

Segundo: A equipe do touro vermelho continua forte, porém luta com o sobrepeso. O pessoal da fábrica vem trabalhando numa dieta rígida do carro atual. Para se dar bem, eles vem usando menos aerofólio (carga aerodinâmica), sacrificando a performance nas curvas de alta e favorecendo a velocidade nas retas. Usaram isso também no Bahrein, mas lá o sobrepeso judiou dos pneus e, para completar tudo, acabou com os problemas na alimentação.

Essa configuração, pouca asa, dificulta a vida dos pilotos que, mesmo assim, se deram bem. Já a unidade de potência não sofreu com a nova mudança da mistura de combustível (E10), fruto da contratação de muitos funcionários de Power Train da Mercedes em 2021, e da parceria com a Mobil, responsável pelo desenvolvimento do novo combustível para a equipe, que tem muito potencial para evoluir no decorrer da temporada, sendo uma séria candidata ao título.




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Terceiro. A Ferrari é a grande surpresa da temporada. Depois de anos longe da disputa pelo título, o último foi em 2008, no momento é o carro de 2022, bem nascido e com soluções de construção inéditas, tanto na aerodinâmica como na mecânica. Sua unidade de potência evoluiu muito, basta ver como a Haas e Alfa Romeo superam os oponentes nas retas. Muito diferente das últimas temporadas. Possuem muito torque já nas saídas de curva. É ótimo em baixas, médias e altas rotações.

Tanto chassi e suspensão tratam bem os novos pneus aro 18. É o melhor carro italiano dos últimos anos. Os italianos estão se dando ao luxo de usar muita carga aerodinâmica. A parceria com a Shell, parceira de décadas da equipe, foi crucial no desenvolvimento da nova UP. O único senão de tudo é saber se os italianos vão conseguir evoluir o carro satisfatoriamente no decorrer da temporada. A F1 75 também está com umas gordurinhas a mais que o ideal.

Quarto. A W13 voltou à tradicional cor prata. Se a Ferrari é a surpresa de 2022, a Mercedes é a grande decepção até o momento. A Petronas, parceira da equipe desde a estreia, não conseguiu a eficiência das adversárias Mobil e Shell no desenvolvimento do novo combustível. Lembrando que não é só a equipe alemã que está sofrendo, as equipes clientes, Mclaren, Williams e Aston Martin, padecem também.

Os alemães ainda sofrem muito com as golfinhadas de seu carro nas retas. E para remediar esse efeito são obrigados a correr numa altura que não é a ideal para que o carro não raspe no solo e com isso perdem eficiência no efeito solo. O projeto do W13 é revolucionário em aerodinâmica, já que seus sidepod são magrinhos. Para chegar a essa solução, os técnicos contaram com a ajuda de empresas da área aeroespacial. A sorte da Mercedes é que o carro estreou mal, pois se estivesse andando bem veríamos alguns protestos por parte dos concorrentes.

• A equipe técnica da Mercedes é a melhor da F1. Teremos que esperar um tempo para ver se conseguem transformar o que é ótimo na teoria ser também na prática.

• Programação do GP da AUSTRALIA

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
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