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Uberaba, 16 de junho de 2021 -

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Lídia Prata
Lídia Prata ALTERNATIVA 02/06/2021


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Elisa acena bandeira branca para a Câmara

“Não somos donos da verdade. Nem queremos ser. Queremos apenas construir uma cidade melhor, junto com o Legislativo. Entendemos que é preciso unir forças para que Uberaba supere a pandemia e possa prosperar”. Foi o que disse a prefeita Elisa Araújo em entrevista à Rádio JM nesta quarta-feira, acenando bandeira branca para os vereadores.
Desde o início de seu mandato, as relações com o Legislativo têm registrado altos e baixos. Mas a animosidade dos legisladores com o governo municipal se acentuaram nos últimos dois meses, a ponto de rejeitarem o projeto do Plano Plurianual (PPA), uma das peças mais importantes para garantir a governabilidade. E azedaram mais ainda com postagens nas redes sociais, com acusações pesadas contra os vereadores, feitas por integrantes do primeiro escalão do governo municipal.

COURO DURO

“Tem que ter o couro duro para aguentar. Não está fácil não. Estou sendo extremamente vigiada” - desabafou a prefeita Elisa. Ao falar sobre o primeiro pedido de cassação de seu mandato, Elisa revelou ter conhecimento de outros quatro pedidos semelhantes que ainda virão. No entanto, neste caso específico, ela disse que está recorrendo à defesa prévia para explicar aos vereadores que as denúncias alegadas no pedido de impeachment não procedem. Os reajustes de preços para obras contratadas pelo Município, segundo a prefeita, foram concedidos pelo seu antecessor, chegando a 19%. Já na sua gestão foi feito mero realinhamento de preços, na casa de 2% a 3%, sem extrapolar o limite legal de 25% de reajuste.

ÚNICO CASO

Elisa frisou, ainda, que apenas o contrato para limpeza do cemitério foi feito em 2021. Mas os preços estão mais baixos do que os praticados no governo passado. “A alegação é que o preço é inexequível. Ora, nós contratamos por um preço menor. E vamos fiscalizar o contrato, com rigor. Não vou permitir que sejam feitos aditivos, como era comum no passado. Apenas se houver alta de preços no mercado, impactando a obra ou serviço contratado” - garantiu Elisa.

TROPA DE CHOQUE

Em que pese a prefeita ter dito que está procurando um a um dos vereadores que rejeitaram o projeto do PPA, vários deles negaram contato para o diálogo. Nos bastidores, todavia, comenta-se que alguns dirigentes classistas entraram em ação, com a tarefa de apaziguar os ânimos dos legisladores, começando pelo presidente da Câmara.

QUEM SABE?

Indagada se pretende promover uma reforma administrativa ainda este ano, Elisa descartou essa possibilidade. Mas admitiu que qualquer alteração no seu time será feita a partir do diálogo com o Legislativo. Para bom entendedor…

BANHO MARIA?

Reflexo ou não da entrevista da prefeita ao programa O Pingo do Jota nesta véspera de feriado, o certo é que o esperado parecer da Procuradoria da Câmara no pedido de cassação do mandato de Elisa não saiu até agora, embora tenha sido anunciado pelo presidente Ismar Marão para hoje. Estará sendo mantido em “banho-maria” por alguma razão?

CANETA NA MÃO

Elisa voltou a garantir que não tem compromisso com erro. Afirmou com todas as letras que vai exonerar integrante do primeiro escalão, se ficar comprovado o envolvimento no esquema de fura-fila da vacina a partir do relatório da Comissão Especial de Investigação da Câmara. E disse mais: “Pessoalmente eu não estou envolvida em coisas erradas. Isso eu garanto”.




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PUXÃO DE ORELHAS

Já em relação aos comissionados que cometeram deslizes ultimamente, Elisa disse que já chamou a atenção dos dois. Um está lotado na Secretaria de Meio Ambiente e foi flagrado em aglomeração, com imagens postadas em redes sociais. A outra criticou vereadores que rejeitaram o PPA, também em redes sociais. Ambos estão cientes que não haverá perdão numa eventual reincidência.

QUEM SE HABILITA?

“O Solidariedade terá candidato próprio a deputado estadual”, conforme antecipou a prefeita. O nome, porém, ainda não está definido. Bastou Elisa dar a dica para começarem as especulações em torno do nome do vice, Moacyr Lopes, para dobradinha com o federal Zé Silva. Será?

LADO BOM

Nem só de CEI, impeachment e pandemia a prefeita tratou na entrevista à Rádio JM. Falou também da conversa que teve em Brasília, no Ministério de Minas e Energia, para ressuscitar o projeto do gasoduto. A prefeita voltou animada, diante da possibilidade real de trazer o gás de São Carlos para Uberaba e daqui até Brasília e Goiás. O projeto, segundo Elisa, já conta com grupo de investidores privados interessados, capitaneado por uberabense ligado ao mercado financeiro.

E A ÁREA DO DI?

Se o gasoduto parece ter nova chance de viabilização, a intenção do governo Zema de vender a área destinada à fábrica de amônia no DI-3 é mais uma pedra no sapato da prefeita. Ela não vê desta forma, e acredita que o governador será sensível à demanda de Uberaba, suspendendo o leilão do imóvel. Vale destacar que aquela área recebeu investimentos da ordem de R$ 1 bilhão, na época em que a Petrobras falava em construir ali a tal planta de amônia.

ASSIM NÃO

O deputado estadual Delegado Heli Grilo usou a tribuna virtual da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira para se posicionar em relação à decisão do Governo de Minas de colocar à venda o terreno onde seria instalado o projeto da fábrica de amônia. Para o deputado, após gastar milhões em recursos públicos na área, localizada no Distrito Industrial 3, esse espaço estratégico não pode ser simplesmente colocado à venda sem consultar o povo de Uberaba e região. Grilo promete lutar com unhas e dentes para imedir essa venda.

OUTRA BOMBA

Governo Elisa levou a melhor na ação popular movida pelo ex-presidente do PT/Uberaba, Sebastião Severino Rosa. Sentença do juiz estadual Nilson de Paula Ribeiro Júnior foi publicada nesta véspera de feriado, seguindo o mesmo caminho da sentença do colega Élcio Arruda, na ação popular julgada no âmbito da Justiça Federal. Processo foi extinto, sem julgamento de mérito.Na ação, o autor pretendia a interferência do Judiciário para obrigar o Município a adotar medidas mais duras no enfrentamento à pandemia. O magistrado, no entanto, entendeu que o remédio processual usado não era adequado para tratar a “doença”.
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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