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Uberaba, 12 de agosto de 2020 -

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Lídia Prata
Jorge Nabut JORGE ALBERTO 01/08/2020


SEMANA DA MODA – 4º DIA

PAUL POIRET

COM um dos fundamentais criadores de moda do início do século XX, encerramos a inusitada Semana da Moda em página social. São cinco estilistas que fizeram história na mutação do vestiário ocidental e na esteira das transformações comportamentais e tecnológicas, ao longo das dez décadas. A edição de hoje é dedicada ao primeiro inovador dos novecentos, Paul Poiret (20/04/1879, Paris, França – idem, 30/04/1944).

• Feito o serviço militar, aos 21 anos, Poiret foi trabalhar com o pai da alta costura europeia, Charles Frederick Worth, mas logo romperia com o mestre. Rompimento em dois sentidos: no trabalho, criando ateliê próprio, e no conceito de moda, abolindo das mulheres os chapelões extravagantes, os cabelos compridos e estofados, a cintura marcada e as anáguas, os sufocantes espartilhos e adereços que se tornaram desnecessários. E o abuso no uso de tecidos que, por conta dele, a indústria têxtil pediria concordata. Os excessos da belle époque faziam qualquer donzela parecer matrona. Foi o primeiro marqueteiro, com festas de arromba para promover suas criações. Enfim, trocou os excessos do art nouveau pelo racionalismo art déco.

• E aí vem o mais interessante. Ao assistir à apresentação do balé “Sherazade”, feita em Paris, em 1910, pelos Ballets Russes, Poiret se deixa encantar pela indumentária oriental e deu às suas modelos lembranças de odaliscas. As dançarinas orientais se transformariam nas melindrosas que dançavam charleston ao invés de Rimsky-Korsakov, como faziam as russas, no palco. Os cabelos à la garçom, tipo rapaz, cortados rente à nuca. As mulheres estavam livres e leves, podiam sorrir à vontade e namorar nos carros de tração motora, tipo Bugatti, que substituíram os de tração animal, já rolando sobre asfalto.

• Pela convivência muito próxima com os artistas vanguardeiros da época e por considerar a moda criação artística, Poiret levava a seu ateliê obras de Brancusi, Picabia, Delaunai, Matisse, Picabia, Picasso, que compunha com suas criações.

 • Com a explosão da Primeira Guerra Mundial, Poiret deixou o atelier para servir ao exército. Quando retornou, em 1919, a maison estava à beira da falência. Até então a guerra mais cruenta da história de todos os tempos mudaria tudo, as áreas do conhecimento, da tecnologia à filosofia. A pandemia de hoje é insignificante diante dos estragos daquele conflito mundial, que encerrou a belle époque, período de luxo e extravagância. Atrás dos escombros vêm os avanços, as descobertas científicas. Mas nem todos sobreviveram a eles. Como milhares de outros investidores, o estilista também sucumbiu às transformações.

• Nos ensina o samba que “morre o homem e fica a fama” e com o estilista de nossa grande preferência não foi diferente. Visitar a obra de Poiret nos livros, internet e museus é um prazer que nos contagia, tanto pela inventividade como pela leveza do espírito libertário. Que este espírito retorne sempre que necessário!

• Este, sim, foi um período que quem o viveu podia dizer: “Era feliz e não sabia”. Kkk

 

O estilista francês Paul Poiret

Os três modelos acima resumem todo o potencial criativo e libertário de Paul Poiret 


TAPETE VOADOR

• O show de Armani – Certamente, uma das melhores coleções de Giorgio Armani, a de 2020/2021, mostrada em vídeo na última coluna nossa.



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• Juventude aos 86 - Há poucas pessoas no mundo que os 86 anos fizeram tão bem quanto a Giorgio Armani, que se muniu de rara juventude para desenhar esta coleção.

• Desejo explícito – O mais raro nesta coleção de Armani é que não há peça fora do nosso padrão de desejo. Da coleção masculina, quase totalidade do desfile, nada se recusaria.

• Aplausos finais – Feitos os desfiles na nossa página, nos despedimos de Poiret, Dior, Chanel, Miyake e Armani, que abrilhantaram nossa Semana da Moda. Abraços a todos que compareceram aos espetáculos!

• Novo milênio – A entrada do novo milênio e a já sabida invasão da televisão e, na sequência, das redes sociais deram grande guinada na moda, a ponto de dispensar estilistas como os aqui lembrados. Talvez não haja mais moda e, sim, roupas para usarmos, sem necessidade de gênios para criá-las. Alguém, figurinista de novelas, por exemplo, pode criar uma roupa e os meios de comunicação se encarregam de colocá-la em uso ou transformá-la em moda.

• Final - Estranho que os robôs ainda não tenham sido encarregados pela criação, produção e difusão da indumentária do ser humano. Às vezes sim, e nós não estamos sabendo. A fila anda. Alta costura tornou-se mais mito que moda.

• Oasis e Vencer – E hoje tem live (gg.gg/kufqm), às 16h, com o grupo Conectados com a Espiritualidade, que beneficiará duas importantes entidades sociais: Oasis e Vencer. Solidariedade é tudo!

• Sophia Loren - E nosso vídeo não é sobre Poiret, difícil de encontrar algo condizente. Fica por conta de Sophia Loren, que aos 81 anos lança o novo D&G.


 

Amigo de todas as horas, olhos e inteligência que muitos gostariam de ter, Leandro Paiva dedica-se também a comentários espertos sobre nossa Semana da Moda

FOTO: Babi Magela

Avelino Neto e Isabela Cadelca Tondim no batizado do filho Otávio, que tem na foto as irmãs Clara e Manuela

Otávio com os queridos padrinhos

Com a madrinha Olívia Cadelca

Otávio com avós 

Otávio com avô

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
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