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Uberaba, 05 de abril de 2020 -

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Lídia Prata
Jorge Nabut JORGE ALBERTO 24/03/2020

BELA ITÁLIA

POSSIVELMENTE, não há país mais querido no mundo do que a Itália. Não somente pela topografia e pelas maravilhas lá construídas, desde os tempos dos inacreditáveis romanos, mas pelo jeitão falante, sem meias palavras, mas comunicativo de ser. Enquanto outros países, também maravilhosos, falam-nos através da razão (Alemanha), da lógica (Inglaterra), da razão (França), etc, a Itália atinge o coração. E isso faz a diferença. Neste período em que vem perdendo para o coronavírus quase 800 pessoas/dia, o mundo se solidariza com a Itália. E nós não ficamos de fora desta vibe. Dedico nossa página de hoje à Itália e aos descentes – inclusive os palmeirenses, por que não? – que vieram acelerar o progresso da nossa cidade, região e nosso país. Acontecem coisas horríveis com povos do mundo todo, mas com a Itália parece que é diferente. E para falar sobre o país que tanto nos encanta, segue entrevista com Ana Cristina Andrade, conhecedora do mundo.

 
ITÁLIA – Viajante inveterada, Ana Cristina Andrade faz seu depoimento sobre a Itália, a maior vítima da pandemia provocada pelo coronavírus

 
Lúcia e Délcio Scandiuzzi na praça de São Marcos, Veneza

Lélia Bruno com o compositor Puccini, em Lucca

 


 
Ivone e Hélio Massa passeando de gôndola em Veneza

 
Myriam Furtado e Taciana Locatelli em Florença

 
Fernando, Telma Sabino e Milton Carvalho, em Florença, com Heloísa Sabino e José Antônio e a filha, Luísa

 
Ângela Ratto na Roma Eterna 

 
Lígia Sousa Lima usa sua força de Maciste para segurar a torre de Pizza

1 – Você, que conhece meio mundo, que tipo de “relação” tem com a Itália?

– O meu relacionamento com a Itália tem duas fases totalmente distintas. Quando cheguei a Roma pela primeira vez, eu já estava na Europa havia um tempo, estudando em Cambridge, Inglaterra. Roma me deslumbrou, mas, ao mesmo tempo me desorientou. O trânsito era caótico, os italianos, barulhentos; as ruas, sujas; as filas, desorganizadas, e o romano, totalmente sem paciência com o turista confuso. Eu comparava aquele caos com a ordem e a educação britânica e ficava chocada. Naquela época, quando me perguntavam de qual país eu mais gostava – Itália ou França –, eu respondia França, sem sombra de dúvida. Mas aí eu voltei à Itália e a vi com outros olhos. O que era caos virou charme, o que era barulho virou alegria e o que era falta de educação virou simpatia. Eu me apaixonei pela Itália. Hoje, com exceção da Grã-Bretanha, é o meu país favorito na Europa.

2 – Qual é o lugar ou cidade italiana que tira você do sério, pela beleza?

– Todas as regiões da Itália são lindas e em cada uma delas há uma cidade apaixonante. Na região do Vêneto temos Veneza; na Lombardia, Milão; em Piemonte, Turim; na Emília-Romagna, Bologna; na Úmbria, Assis; no Lázio, Roma; na Púglia, Alberobello; na Calábria, Matera; na Sicília, Taormina; na Sardenha, Alghero, e deixando a melhor para o final, na deslumbrante Toscana, com seus vinhedos e sua vegetação única, Florença. Florença é a mais bela de uma Itália cheia de cidades belíssimas – ela é linda por dentro e por fora. E, ao entrarmos em seus museus e igrejas, nós nos deparamos com as mais belas e importantes obras de arte do Renascentismo. Durante um mês estudei História da Arte Renascentista, em Florença, e foi uma experiência inesquecível. A beleza de Florença é de tirar o folego.

3 – O avanço do coronavírus na Itália aflorou em grande parte do mundo, e muito no Brasil, a simpatia que se tem por aquele país. Concorda?

– Tudo o que acontece na Itália nos toca mais de perto porque fazemos parte do legado cultural deixado pelo Império Romano. Os terremotos, as erupções vulcânicas, as inundações que ocorrem com certa frequência nas regiões italianas nos abalam e nos entristecem. Não foi diferente com o surgimento da pandemia do novo coronavírus, que atingiu a Itália de forma tão avassaladora.
4 – Até onde a culpa do avanço do coronavírus é dos italianos (da política italiana)?

– Qualquer catástrofe, seja ela natural ou não, que resulte em milhares de mortes, poderia ter sido evitada ou minimizada se determinadas medidas tivessem sido tomadas previamente.

5 – Há previsão para retornar à Itália?

– Se existe um país no mundo que vale a pena voltarmos inúmeras vezes e percorrê-lo de norte a sul, esse país é a Itália. Ela está sempre em meus roteiros.

ITALIANAS E BRASILEIRAS

Ivalda Modas também interage com a homenagem que prestamos à Itália

NA SEMANA em que homenageamos a Itália, abrimos foco para a italianíssima Ivalda Bessa. À frente da loja que leva seu nome, ela sabe dar charme todo especial às tendências de cada temporada e recorre à nossa página para homenagear clientes de todas as tendências e origens, mas principalmente italianas. É Ivalda Modas em parceria com toda a colônia italiana.

 

 
Ivalda Bessa representa a colônia italiana, homenageada de hoje em nossa página

CANTO GREGORIANO

SERÁ celebrada HOJE, às 7h da manhã, no Mosteiro das beneditinas, missa por intenção da senhora Stella Terra Cecílio, com cânticos gregorianos, que ela, ex-interna do Colégio Sion, tanto gostava.

 
CASEIROS – Guido Bilharinho e Leda, sem dificuldades para fazer a quarentena

TAPETE VOADOR

• Prisão domiciliar – Tem nome, endereço, CPF e telefone a pessoa que tira de leta o quesito horror de ficar em casa. Há 82 anos antes do coronavírus, Guido Bilharinho já fazia isso, à perfeição. Sair de casa ou de suas extensões (escritório e biblioteca) nunca foi de seu agrado. A maior dádiva obteve quando inventaram o vídeo e nunca mais teve de ir ao cinema. Com o dever de casa feito, ele não tem de enfrentar aquilo que mais tememos neste “feriado” desastroso: arrumar as gavetas de papéis. Tudo do Guido é organizado à perfeição, de tal maneira que é a ele que recorro para achar um poema ou um artigo meu perdido, mesmo que tenha sido escrito lá nos anos 70. E cá para nós, a organização só traz benefício, inclusive sob o aspecto psicológico.
• Novo enfrentamento – À batalha contra o coronavírus se soma outro enfrentamento: a organização das gavetas. Diante delas, eu me sinto Dom Quixote e Brancaleone. Dentro delas estão anotações, registros, ideias, projetos, palavras que podem render poesia, frases que podem virar livro, observações sobre o comportamento humano, o tratamento estúpido que recebi e que poderá resultar em conto de terror. Resignado diante do dever, tiro as anotações dos envelopes e das caixas e, depois de limpá-los e reorganizá-los, devolvo tudo para o mesmo lugar em que se encontravam e, ao invés de me sentir aliviado, sei que ainda estão ali e ali permanecerão até o Natal, quando nova promessa de organização se aflorar.

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