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Lídia Prata
Joanna Prata AGRO EM DIA 29/06/2021


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Cana-de-açúcar se apresenta como solução para um possível "apagão" devido à crise hídrica

Crise hídrica e energética

Nesta segunda-feira, às 20h, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio de TV. No pronunciamento, o ministro pediu aos brasileiros o uso racional de energia elétrica em momento em que o país sofre os efeitos de uma severa seca nos reservatórios das hidrelétricas. Na mesma segunda-feira, o Ministério de Minas e Energia publicou uma portaria no Diário Oficial da União abrindo consulta pública sobre as diretrizes para oferta adicional de geração de energia produzida por biomassa.

A energia proveniente de termelétricas com bagaço de cana-açúcar além de ser uma solução sustentável por ser uma energia limpa, pode  ser a solução para este momento que o ‘fantasma do apagão’ voltou a assombrar. As energia das usinas de biomassa podem sair por menos da metade do custo de muitas térmicas acionadas emergencialmente. Além disso, o período coincide com a época que as usinas estão a todo vapor na produção de etanol, portanto  mais bagaço e mais geração de energia. O bagaço da cana após a moagem é queimado e o vapor gerado se transforma em energia.

Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) as usinas  termelétricas que geram energia através da combustão do bagaço da cana- de açúcar representam   33% da energia gerada em todas as usinas térmicas do país no mês passado.  A portaria do MME pode ampliar ainda mais essa participação e ser um recurso viável para a crise hídrica, pelo menos no que se refere à geração de energia.

O Triângulo Mineiro, é o maior produtor de cana-de açúcar de Minas Gerais, na última safra, que terminou em março,  foi responsável pela  produção 2, 33 milhões megawatt-hora de conforme dados divulgados pela Siamig. Segundo Mario Campos, presidente da entidade,  Minas Gerais exporta cerca de 3,2 milhões megawatt-hora de energia, é uma exportação muito considerável, só para que todos tenham uma ideia, essa exportação representou 5,5% de toda produção de energia dentro do estado. Das 36 usinas em Minas, 23 exportam energia e outras já estão estudando formas de entrar no mercado

Plano Safra chegou, com taxas de juros mais robustas 

Na terça-feira(22) da semana passada foi  a cerimônia oficial no Palácio do Planalto de lançamento do Plano Safra 2021/2022. O Plano conta com R$ 252,22 bilhões para apoiar a produção agropecuária nacional. Na comparação com o plano anterior houve um aumento de R$ 14,9 bilhões.

Com dólar e com a taxa básica (Selic) de juros que está um patamar alto considerado pelos economistas, já era esperado o aumento das taxas de juros de financiamento. A Ministra Tereza Cristina buscou R$15 bilhões para equalizar os juros, mas o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento consegui chegar a cifra 13 bilhões de aporte do Tesouro Nacional

 No total, estão sendo ofertados R$ 165,2 bilhões a juros controlados, corresponde a 7% a mais do plano anterior. E para a juros livres a oferta é de R$ 86 bilhões, um crescimento de 5% no comparativo com o plano 20/21. “Os juros controlados tem uma previsibilidade de teto atribuída pelo Conselho Monetário Nacional. Nos casos dos juros não controlados ou abertos não tem essa pré-fixação. Mas existe uma discussão sobre os juros não controlados, por que de acordo com os entendimentos, mesmo que ele não seja controlado pode se atingir somente até 12% ao ano ou ao mês. Ou seja, os juros controlados tem essa pré-fixação e os livres não, porém com essa ressalva.” explicou João Henrique Vieira da Silva, assessor jurídico do Sindicato Rural de Uberaba.

Serão destinados para financiamentos no custeio e comercialização das próximas safras R$ 177,78 bilhões, uma queda de R$ 1,6 bilhão no comparativo do plano anterior.  Para  os financiamentos para investimentos foram ofertados R$ 73,45 bilhões, um aumento de R$ 16,53 bilhões. Curiosamente os juros mais altos são os para financiamentos referentes a investimentos.




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O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras, o Moderfrota, teve um aumento de 7,5% para 8,5% ao ano. Para investimentos em construção de armazéns as taxas vão de 5% a 7% conforme capacidade de armazenagem

 O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) não fugiu do aumento. No plano que termina essa semana a taxa está 2,75% e 4% ao ano, já para o plano que inicia neste dia 30, passa para 3% a 4,5% ano.  O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, (Pronamp) também sofreu com aumento na taxa de juros, foi de 5% para 6,5% ao ano. Para os demais produtores a taxa saltou de 6% para 7,5%.

O secretário municipal do Agronegócio, José Geraldo Borges Celani acredita que ainda neste finalzinho de junho, estes recursos do Plano de Safra 2021/2022 já estarão à disposição dos produtores em geral e, claro, para os de Uberaba. Ele destaca, no entanto, que o interessado precisa estar com o cadastro atualizado na agência bancária. Aliás, sobre documentação, o secretário do Agronegócio informa que é intenção da Sagri propor uma parceria com a Emater, no sentido de auxiliar o órgão na liberação da DAP – Declaração de Aptidão ao Pronaf – Programa Nacional da Agricultura Familiar, documento fundamental para que micro ou pequeno produtor possa tratar de financiamento agrícola junto aos bancos. “Os nossos técnicos têm totais condições de ir a campo, colher os dados do pequeno produtor e fazer o documento com laudo e passá-lo a Emater para certificá-lo,” afirma Celani. 

Chumbo trocado

Durante a semana passada a Central de Abastecimento do Vale do Rio Grande (Ceasa/Uberaba) recebeu diversas críticas de um produtor de hortaliças que divulgou vários vídeos criticando a gestão da Ceasa. Na segunda-feira ele divulgou um vídeo reclamando que não há incentivo para a produção de alimentos por não ter compradores. De acordo com o denunciante, as grandes redes de supermercados e varejões de Uberaba têm preferido ir à Ceasa de cidades vizinhas por ter maior variedade de alimentos. 

Na quinta-feira, Raoni Terra, diretor de Produção Agropecuária da Secretaria de Agronegócio (Sagri), divulgou um vídeo em resposta às questões levantadas pelo horticultor. No vídeo Raoni mostra grande movimento de compradores e vendedores no local por volta das 6h da manhã. Em outro vídeo o diretor mostra a fila de carros para entrar no local no mesmo horário. Por volta das 8:30h o mesmo produtor de hortaliça autor dos outros vídeos, fez mais um vídeo. Neste, o denunciante fala novamente que não tem comprador, apesar de ter vendido toda sua mercadoria. Ele mostra as bancas dos vendedores e diz que muitas mercadorias sobraram. E diz novamente que tem produto, mas não tem comprador. Sobre o vídeo o diretor da Sagri respondeu: "Por volta de umas 8 horas havia comprador procurando produtos e não tinha mais. Tinha nas pedras, mas era tudo pra entrega. Inclusive isso aí que foi filmado já estava tudo vendido/reservado.” disse Raoni finalizando o assunto.  

Nessa terra que se plantando, quase tudo dá

Na mesma quinta-feira o secretário do Agronegócio, José Geraldo Celani, visitou a unidade da Ceasa e conversou com os produtores que expõem suas mercadorias na “pedra”, Ele falou à classe da determinação da equipe Sagri em motivar, apoiar e assistir o pequeno produtor em Uberaba, dentre eles, os produtores de hortifrutigranjeiros.

Produtor de quiabo e maracujá, ativo na Ceasa desde a sua inauguração, Jeremias Colmanetti entende que os produtores na “pedra” precisam se unir ainda mais para enfrentar estes tempos de crise. “Infelizmente, tem gente que torce para dar errado”, disse ele em alusão a vídeo divulgado por comerciante. Já Otaíde Souza, produtor de abobrinha e jiló, há seis anos vendendo na “pedra”, defende o incentivo para o compareçam mais produtores. “Afinal, o que a gente traz pra cá vende, inclusive para o programa do governo federal e também, não raras vezes, ajuda instituições filantrópicas da cidade”, relatou.

Em nota publicada pela Secretaria de Agronegócio, o secretário disse estar contactando os comerciantes de Uberaba para atrair mais compradores, para a produção local. “Da mercearia às grandes redes, é fundamental que todos valorizem o nosso produtor de hortifrutigranjeiros, afinal, com esta garantia nas vendas, ele irá produzir ainda mais", frisou Celani.  Na nota também é abordado que a partir do segundo semestre, a Sagri irá beneficiar os pequenos produtores com doações de sementes de milho e distribuição de fertilizantes para correção do solo. 


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
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