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Uberaba, 05 de dezembro de 2021 -

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Lídia Prata
Joanna Prata AGRO EM DIA 10/05/2021


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Edição 100% virtual da Expozebu movimenta mais R$ 44 milhões

A 86ª Expozebu encerrou oficialmente neste domingo (9) e apresentou um resultado expressivo na venda de animais P.O. Entre os destaques da temporada temos a vaca recordista em valorização no ano, a nelore Sophie da Ouro Fino, vendida por volta R$1,6 milhão, e a vaca nelore REM Constelação por R$1 milhão. Entre os machos estão o garrote Bayer EAO e o touro Cifrão FVC. O primeiro tem o valor de quase R$1,4 milhão e foi vendido apenas 50%, por 30 parcelas de R$23.200,00; e o segundo que metade do animal foi arrematado por R $950 mil, ou seja, Cifrão é avaliado em R$1,9 milhão.

Touro Cifrão FVC, avaliado em R$ 1,9 milhão

Mas e aí, afinal o que é um animal P.O. e pra que serve?
Por ser a cidade sede da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu e pela maior feira pecuária do Brasil também ser sediada em Uberaba, muitos uberabenses já ouviram a expressão gado P.O. ou P.O.I. e melhoramento genético. Essa semana a coluna convidou o pecuarista e veterinário João Marcos Machado Borges para explicar o que afinal de contas quer dizer esses termos e como esse trabalho contribui para o produto final que chega ao consumidor.

A expressão gado P.O. significa puro de origem, que quer dizer que aquele animal possui toda sua ancestralidade registrada no livro genético da raça. Já o P.O.I. é puro de origem importada, relativo ao animal trazido da região do país de origem que tenha todos os atributos do padrão da raça ou a animais nascidos no Brasil, cujos ascendentes sejam todos POI, no caso do Zebu a origem é da Índia. O papel da ABCZ dentro deste universo é garantir o controle dessa genealogia, já que é responsável pelos registros genéticos desses animais desde sua criação a 102 anos atrás.

João Marcos explicou que esses animais supervalorizados são indivíduos que se destacam na sua geração, visto que milhares de animais são nascidos por ano no cenário onde existem muitos criadores que fazem o trabalho de melhoramento genético. As principais características observadas para a valorização de um animal são fertilidade e o ganho de carcaça (mais peso) e produção. Para aqueles que adquirem os animais João Marcos explicou que o retorno do investimento costuma vir bem rápido “Com as tecnologias de fertilização in vitro uma matriz dessa produz 40, 50 produtos por ano. O retorno vem vendendo seus filhos ou com animais que vão sendo deixados dentro do seu rebanho. Onde o criador ganha muito é no valor genético que ele incrementa no seu plantel , já que uma matriz dessa se torna referência dentro do rebanho. Já no caso dos touros, eles vão se pagar com a venda de semen, um touro de central pode produzir mais 100 mil doses semen”, disse João.




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E o consumidor, o que ganha com isso?
Para o produto final do consumidor o ganho é na qualidade da carne que chega ao prato. Esses animais supervalorizados estão na ponta da pirâmide, eles são animais que geram mais carne na sua carcaça e deles são retirados descendentes que são os animais que vão para o abate. Hoje a carne do Zebu encontra no mercado a concorrência de outras raças importadas, como é o caso da raça Angus de origem europeia. Uma das funções do melhoramento genético é tornar a carne do Zebu mais saborosa para competir no mercado. Por serem animais bem adaptados ao clima brasileiro, os Zebu têm um custo de produção bem mais barato que os animais de origem europeia e são mais de 80% do rebanho de corte no país, sendo assim o consumidor ganha uma carne de boa qualidade e com preço acessível.

Animais + peso + carne = menos impacto no ambiente
No começo do século passado, quando houve o grande ciclo de importações de gado zebu da Índia, os animais rendiam 50% de carne na carcaça. Com o melhoramento genético feito no Brasil, os animais chegam a um rendimento de carcaça de 55% a 57% atualmente. E o objetivo do melhoramento genético é alcançar 60% de rendimento. Isso representa que se antes um animal de 600 kg rendia 300 kg de carne, hoje ele rende até 342 kg. Dessa forma, o melhoramento genético contribui também na parte ambiental, porque é preciso menos área para produzir mais, visto também que os animais da atualidade ganharam bastante peso no comparativo com seus antepassados. “A gente fala muito é o termo ‘produzir mais com menos’, você faz o mesmo animal render mais carne”, disse João Marcos.

Touro nelore Kavardi, importado da Índia em 1963 por selecionador Torres Homem Rodrigues da Cunha

Mesmo com o encerramento neste dia 9 a programação comercial segue até dia 22 de maio, data que ocorre um dos leilões mais aguardados da temporada: a 37ª Noite do Campeões, onde serão comercializados animais de sete fazendas renomadas no melhoramento genético nacional. A expectativa é que o recorde de valorização da Expozebu 2021 seja batido neste leilão. Até o domingo (9), no que se refere à movimentação, os leilões e shoppings virtuais movimentaram mais de R$44 milhões.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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