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Uberaba, 22 de maio de 2022 -

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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 17/04/2022



O câncer de mama após a Pandemia

Bom dia, Leitores do Jornal da Manhã. Vou falar um pouco de um gargalho muito sério que sofremos em 2020 e 2021 e que vamos começar a colher as consequências somente agora. O atraso na detecção e no início do tratamento do câncer de mama pelo medo ou mesmo pelas mudanças de políticas públicas pela pandemia, o que no mínimo dificultou o acesso as mulheres na idade de rastreamento à realização do seu exame anula ou bianual de mamografia.

O câncer de mama está entre as doenças cuja prevenção e tratamento foram mais afetadas pela pandemia de coronavírus. Segundo estudos, o isolamento imposto pela pandemia de Covid 19 prejudicou a detecção e a notificação dos casos de câncer de mama, com um queda de 50% no número de mamografias de rastreamento entre 2019 e 2020; e 39% de diminuição na quantidade de biópsias. Esses estudos incluem apenas dados da rede pública, mas possivelmente houve queda também na rede particular. Estima-se um total de 4 mil casos de câncer de mama não diagnosticados em 2020. E dados prévios mostram que nos três primeiros meses de 2021 o número mensal de mamografias foi ainda menor do que em 2020 e 2019. Ou seja, não houve melhora neste panorama.

A estimativa de milhares de casos não detectados na pandemia se torna ainda mais preocupante quando considerados os gargalos nas etapas posteriores de tratamento. Não somente chegando os quadros da doença represados, como mais avançados, o que já é um problema no país. Não basta apenas realizar o exame de mamografia, existe o tempo entre a pessoa apresentar o nódulo palpável e fazer o exame de biópsia; o tempo entre ela fazer o exame de biópsia e fazer a cirurgia; o tempo entre fazer a cirurgia e começar a quimioterapia. Então esse hiato que se formou nesses dois anos pode representar uma tragédia no tratamento do câncer de mama.

Em geral, diagnósticos mais tardios significam tratamentos mais invasivos e chances menores de sobrevivência. Por esses e outros motivos, o rastreamento correto é tão importante.




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O câncer de mama representa 30% de todos os canceres no sexo feminino, representa mais de 60mil casos novos por ano no Brasil, 1 a cada 8 mulheres vai ter câncer de mama no decorrer da vida. Essa redução de mulheres na realização de mamografia nestes últimos dois anos terá um custo muito alto não somente financeiro, mas com sofrimento e impossibilidade de tratamento mais conservadores e menos agressivos e na possibilidade de curar uma boa parte dessas mulheres.

Bom domingo a todos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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