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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 30/11/2020


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Você sabe o que são os cistos de ovário?

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã.

Hoje vou abordar um tema que causa muitas dúvidas nas condutas e tratamentos: os cistos de ovário. Eles são muito frequentes e ocorrem em meninas e mulheres de todas as idades. Podem ser assintomáticos ou estar associados a algum sintoma, como dor. Felizmente, a maioria dos cistos detectados está associada a um processo ou neoplasia benigna. Mesmo assim, a cada ano, 5 a 10% das mulheres passam por cirurgias em decorrência de uma suspeita de câncer de ovário, mas em apenas 13 a 21% este diagnóstico é confirmado.

Quando falamos em cistos de ovário é essencial saber:

- A fase do ciclo menstrual. Como a ovulação em geral ocorre no meio do ciclo, uma nova massa pélvica detectada nesse período é mais comumente um cisto funcional, enquanto uma massa identificada em uma fase mais tardia do ciclo é mais consistente com um cisto de corpo lúteo. Uma paciente com história antiga de menstruações irregulares, ou mesmo com amenorreia secundária, que apresente massas anexas bilaterais sem sensibilidade, pode ter ovários policísticos ou endometriomas. Não se esquecendo que a ausência de menstruações é sugestiva de gestação.

- O padrão do sangramento menstrual: sangramento intenso muitas vezes ocorre em casos de leiomioma submucoso; sangramento irregular, dor e falta de menstruação são sugestivos de gestação ectópica; sangramento na pós-menopausa pode ser causado por câncer de endométrio.




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- Quadro de dor associado: dor no meio do ciclo em uma mulher pré-menopáusica sugere a presença de um cisto fisiológico. A dor que ocorre após a relação sexual pode estar relacionada a um cisto rompido, enquanto uma dor crônica durante a relação sexual é sugestiva de endometriose. E se a dor estiver associada a presença de uma massa anexa e falta ou irregularidade menstrual devemos pensar em gravidez nas trompas.

Porém, o passo mais importante é a avaliação dos exames de imagem, em especial o ultrassom pélvico/transvaginal. Este exame indica não só a topografia da massa anexial (uterina, anexial ou gastrointestinal) como também fornece informação sobre o tamanho e a consistência da massa, que são informações fundamentais na diferenciação de uma massa benigna e uma maligna. Os cistos ovarianos uniloculares são surpreendentemente benignos e resolvem-se de modo espontâneo em 3 a 6 meses, quando não são neoplásicos. Desta forma, a observação é a abordagem terapêutica recomendada. Havendo suspeita de malignidade ao exame de ultrassonografia pélvica, a realização de exames de imagem adicionais, como tomografia pélvica ou imagem de ressonância magnética, podem auxiliar na confirmação do diagnóstico.

A última ferramenta que utilizamos são os marcadores tumorais séricos, não usados para fins de triagem, e sim na avaliação de pacientes com suspeita de neoplasias pélvicas malignas. Existem vários marcadores tumorais, nos baseamos na idade da paciente, na história clínica da lesão e nas características do cisto para definir quais vamos solicitar. A elevação deles está relacionada à malignidade em mais de 70% dos casos, mas nunca podemos esquecer tumores benignos que também podem elevá-los como o endometrioma.

Assim, a paciente ao chegar ao seu ginecologista com um quadro de cisto ovariano necessita passar por uma investigação minuciosa, para que o diagnóstico seja o mais preciso possível e caso haja a necessidade de cirurgia, que seja feita o mais rápido possível. O câncer de ovário não aceita desaforo, 07 dias podem mudar totalmente o tratamento da doença e principalmente o prognóstico da doença.

Uma boa segunda a todos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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