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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 01/11/2020


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Finalizamos o mês mais importante no combate ao câncer de mama

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã.

Finalizamos o mês mais importante no combate ao câncer de mama. Assim como todos os outros eventos do ano, o Outubro Rosa também sofreu os impactos da pandemia. Menos campanhas de conscientização, menos mulheres procurando centros especializados para realizar o exame clínico das mamas e a mamografia. E qual será o preço que vamos pagar por isso?

Uma pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia, mostrou que a proporção de mulheres que faz o exame de mamografia pelo SUS vem diminuindo. Em 2017, o percentual era de 24%, enquanto que em 2018, 22%. O estudo mostrou também que o número de mamografias feitas em 2018 foi o pior dos últimos 6 anos, apenas 2.648.227 exames realizados. Esse valor não deve ter modificado muito em 2019 e tenho certeza que foi ainda pior esse ano.

Vários centros de referência no diagnóstico de câncer de mama têm reportado que a oferta de exames não caiu, em determinados locais até aumentou, porém a demanda está cada dia menor. Essa fuga já ocorria antes pelo medo da dor na hora do exame e pelas falsas notícias que a mamografia causa câncer. E, este ano, tivemos ainda o fator Covid. Com isso, esperamos uma queda muito maior na adesão de mulheres para a realização de mamografia.

Antes da pandemia, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimava que seriam diagnosticados no Brasil 66.280 novos casos de câncer de mama esse ano, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. E que aproximadamente 17 mil mulheres morreriam de câncer de mama este ano. Porém com a redução do número de diagnósticos em momento oportuno, pela redução na procura para a realização de exames de mamografia, estima-se que a mortalidade vai sofrer um salto significativo, com cânceres sendo diagnosticados em estágios mais avançados e com evolução muito mais desfavorável.




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Por isso não podemos esquecer o câncer de mama, esquecer sua alta frequência na população feminina e principalmente sua letalidade se não for diagnosticado nas fases iniciais. Esses últimos meses tenho visto casos avançados na minha clínica como não via desde a época da residência médica. Tenho certeza que nossos índices vão piorar muito, vamos ter uma taxa maior de casos avançados e consequentemente uma taxa maior de mortes por câncer de mama.

O ano não acabou ainda, não precisa ser só outubro para realizar exame de mamografia e ir no mastologista. Não espere sentir um nódulo, uma secreção pelo bico, um inchaço nas mamas. Se chegar nessa fase, as chances de cura diminuem muito. Não faça parte desses 80% que estão abrindo mão de se prevenir. Se ame, se cuide, cuide de quem você ama, faça mamografia, e principalmente, leve o exame para um mastologista.

Um bom domingo a todos.


 


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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