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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 09/08/2020


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O papel das vacinas na humanidade

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã. Devido a essa pandemia, muitos de nós mudamos alguns hábitos e prioridades. Antes, na primeira oportunidade que tínhamos pra ver um site, um aplicativo, buscávamos notícias de fofoca, esporte, entretenimento. Hoje, vamos atrás de uma notícia de esperança de cura para o Covid, de melhoras nas curvas da doença e de um recomeço da nossa rotina.

Entre essas pesquisas, uma das coisas que mais queremos que aconteça é a chegada da vacina contra o Covid-19. No entanto, vocês sabiam que esse desejo de solucionar uma pandemia não é algo novo?  Há séculos, os homens e os cientistas buscam vacinas para erradicar epidemias que já fizeram muitas vítimas por todo o mundo.

Neste contexto, o primeiro nome ligado à vacina é Edward Jenner. Esse médico, formado em medicina pela faculdade de Londres, foi o descobridor da primeira vacina contra a varíola em 1796. A varíola matava em média 400 mil pessoas por ano no mundo. Jenner, ao voltar a sua cidade natal, observou que as pessoas que ordenhavam vacas não contraíam a varíola humana, desde que tivessem adquirido a forma animal da doença. Ele, então, fez um experimento em que extraiu o pus da mão de uma ordenhadora que havia contraído a varíola bovina e o inoculou em um menino saudável, James Phipps, de oito anos. O menino contraiu a doença de forma branda e, em seguida, ficou curado. Em seguida, Jenner inoculou no mesmo menino líquido extraído de uma pústula de varíola humana. O menino não contraiu a doença, o que significava que estava imune à varíola. Estava descoberta a primeira vacina com vírus atenuado que, em dois séculos, erradicaria a doença.

Mais tarde, já no século 20, presenciou outra corrida por outra vacina: contra a poliomielite. A poliomielite era uma doença epidêmica. Por toda parte se encontrava crianças que se locomoviam com a ajuda de aparelhos ortopédicos rústicos. Qualquer febre ou fraqueza num filho bastava para deixar os pais apavorados: seria paralisia infantil? Nesse momento, surge o segundo grande nome ligado à história da vacina na humanidade: John Enders. Em 1941, em parceria com dois pediatras, Tom Weller e Fred Robbins, conseguiram semear o vírus da poliomielite em tecidos fetais em tubos de ensaio e observaram que ao transferir o vírus de uma cultura para outra em sucessivas passagens, ocorria diminuição progressiva da virulência do vírus, passo essencial para a vacina. Essa descoberta rendeu ao trio de médicos um prêmio Nobel.




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E para fechar essa lista de grandes nomes ligados à história das vacinas, vamos contar a história de dois grandes cientistas americanos e de ascendência judaica que, atentos a esses avanços laboratoriais, travaram uma grande batalha para serem reconhecidos como descobridores da vacina contra a polio: Jonas Salk e Albert Sabin. Usando caminhos e ideias opostas, Salk explorava preparações com vírus morto, administradas por via intramuscular. Já Sabin explorava as propriedades do vírus vivo, atenuado, administrado pela via oral. Com um patrocínio maior, Salk saiu na frente e realizou um estudo populacional no qual foram vacinados 1,8 milhão de escolares. O sucesso da pesquisa foi anunciado numa conferência em abril de 1955, que transformou Salk em herói nacional.

Porém, sem espaço nos Estados Unidos, devido ao grande sucesso da vacina de Salk, Sabin ganhou apoio de cientistas da extinta União Soviética e de países do Leste Europeu e conseguiu fazer um grande estudo em 3 milhões de crianças do Leste Europeu e também obteve grande sucesso nos resultados de sua vacina. Superou a vacina de Salk pela facilidade da administração oral, pelo baixo custo e pela propriedade extra que a vacina oral tinha de proporcionar uma imunização indireta em crianças de baixa renda, pela contaminação através do contato com as fezes contaminada pelo vírus atenuado de crianças imunizadas. E assim, proporcionou a erradicação da poliomielite em quase todas as regiões do planeta.

Contra o Covid-19 não está sendo diferente.  Milhares de cientistas estão nessa corrida, para serem também os heróis da erradicação dessa nova pandemia. E como foi com a varíola, com a polio, também vamos criar essa vacina e a população ficará livre desse mal. A vacina é o melhor caminho para a imunização em massa e vai ser através dela que vamos voltar a viver como antes.

Um bom domingo a todos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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